Alan Burak - Partner & Vice President na Monografie (SAGSE & GET IN Global)

Alan Burak - Partner & Vice President na Monografie (SAGSE & GET IN Global)

Alan Burak – Partner & Vice President, Monografie (SAGSE & GET IN Global)

Sua carreira começou na Monografie em 2002, onde rapidamente ascendeu até se tornar Gerente Geral da empresa organizadora da SAGSE, uma das marcas mais icônicas da indústria na América Latina. Por mais de 14 anos, liderou a expansão, modernização e fortalecimento do selo SAGSE em Buenos Aires, Panamá, Costa Rica, Jamaica e outros mercados da região, consolidando a marca como um dos pilares da indústria junto com a ICE e a G2E. Seu estilo de liderança, centrado nas relações pessoais e na construção de valor colaborativo, marcou uma etapa de crescimento sustentado e projeção internacional.

Em 2016, lançou um de seus projetos mais ambiciosos: GET in Global, uma empresa criada para transformar a maneira como a indústria se conecta, se comunica e evolui. A partir daí, impulsionou ações inovadoras, eventos disruptivos, plataformas digitais de visibilidade e propostas criativas que se adaptam à realidade de cada país e cada cultura. A GET in Global nasceu com uma visão clara: acompanhar um setor que já não é apenas “gaming”, mas entretenimento em seu sentido mais amplo, onde a evolução é constante e as oportunidades se multiplicam.

Burak tornou-se um ator fundamental em nível regional e global. Sempre contribuindo para abrir mercados, identificar oportunidades e conectar a organização com executivos, operadores e fornecedores estratégicos da região. Seu trabalho foi determinante para que o ecossistema internacional voltasse seus olhos para a América Latina com um olhar mais estratégico e próximo.

Desde 2019, ocupa o cargo de Partner & Vice President na Monografie, combinando sua experiência histórica com uma perspectiva moderna e global. Sua abordagem como “Global Networking Expert” redesenhou a forma como os eventos são conceituados e executados, integrando o melhor do mundo presencial com dinâmicas digitais de alto impacto.

Ao longo de sua carreira, Alan demonstrou ser mais do que um organizador de eventos: é um construtor de pontes, um impulsionador de marcas, um facilitador natural de relacionamentos e um criativo incansável, com uma sensibilidade única para interpretar para onde a indústria está se movendo. Sua formação em marketing, sua experiência multicultural e seu domínio de múltiplos idiomas o tornam um ator essencial na profissionalização e expansão do setor.

Sua filosofia é clara: “Estamos na indústria do entretenimento, e aqui tudo muda muito rápido. De hoje e para sempre, tudo será evolução”.

Conversamos com Alan Burak para conhecer mais sobre sua trajetória, sua visão do futuro do gaming e o lado humano de um dos grandes influenciadores do networking na indústria global.

A Origem: Do Bairro ao Universo

Onde você nasceu?

Buenos Aires, Capital Federal, Argentino. Em 27 de agosto de 1981.

Se hoje você pudesse caminhar pelo bairro onde cresceu quando criança, o que lembraria?

Sou um "bicho da cidade", nasci na capital de Bs As na Av. Santa Fe. Lembro de lojas como Casa Tia, as salas de cinema e, principalmente, a Sacoa (sala de videogames, pinballs e arcades, onde passava muitas horas da semana jogando!).

Se pudesse voltar no tempo para esses anos, o que gostaria de estar fazendo?

Jogando nos "fichines" (fliperamas).

Que parte dessa criança ainda está presente em sua vida?

A paixão pelo entretenimento.

Com o que essa criança sonhava trabalhar quando crescesse?

Eu queria ser astronauta, conhecer o universo. Hoje faço isso através do trabalho, conhecendo o mundo. Viajando para reuniões, feiras, eventos e conhecendo pessoas maravilhosas.

Trajetória: A Escola da Experiência

Qual foi seu primeiro trabalho remunerado?

Trabalhei desde muito cedo com meu pai em uma empresa familiar, vendendo peças para carros e seções agrícolas para o campo. Com meu primeiro salário, comprei uma raquete de paddle e fogos de artifício.

Qual foi seu primeiro trabalho no mundo das apostas/jogos de azar?

Comecei aos 20 anos na Monografie, a empresa organizadora da SAGSE, inicialmente como assistente. Em pouco tempo, assumi maiores responsabilidades e passei a atuar como gerente comercial, sempre vinculado ao desenvolvimento da exposição: Marketing, operações, planejamento, direção. A partir desse cargo, tive a oportunidade de conhecer a indústria por dentro, entendendo não apenas a dinâmica comercial, mas também o valor do ecossistema: operadores, fornecedores, reguladores e todos os atores que tornam possível o funcionamento do setor. Essa experiência precoce foi fundamental para o meu crescimento profissional e para construir uma visão integral da indústria, que sigo aplicando hoje na evolução da SAGSE.

O que você mais gosta nesta indústria?

O que mais gosto são as relações humanas. Esta indústria me deu a oportunidade de conhecer pessoas de todos os cantos do mundo, aprender com diferentes culturas e construir vínculos que vão muito além do profissional. Viajar, trocar olhares e compartilhar experiências com atores muito diversos enriquece não apenas o negócio, mas também a forma de entender a indústria e seu impacto. Essa dimensão humana, somada à possibilidade de estar em constante movimento e aprendizado, é o que torna este setor ainda tão apaixonante para mim.

Que tendências marcarão o futuro das apostas nos próximos 5 anos?

Em primeiro lugar, a América Latina continuará sendo um dos mercados de maior expansão global, tanto por sua demografia quanto pela evolução dos marcos regulatórios e pela adoção tecnológica. Em nível de indústria global, há quatro grandes tendências que marcarão o rumo:

Inteligência Artificial

, aplicada à personalização, prevenção de fraudes, análise preditiva e jogo responsável.

Gamificação

, que continuará transformando a experiência do usuário e a relação entre entretenimento, esporte e apostas.

Prediction markets (mercados de previsão)

, que abrem novos modelos de participação e tomada de decisão baseada em dados.

Sustentabilidade e responsabilidade

, cada vez mais relevantes, não apenas no aspecto ambiental, mas também social e regulatório. O desafio será integrar inovação e crescimento com responsabilidade, garantindo que a expansão da indústria seja sustentável e alinhada com as expectativas da sociedade e dos reguladores.

O que mais te preocupa sobre a ludopatia?

O que mais me preocupa hoje é a ciberludopatia infantil. O ambiente digital não foi projetado para crianças e, no entanto, elas estão expostas a uma verdadeira selva de desinformação, onde muitas vezes não conseguem distinguir entre o legal e o ilegal. Este cenário nos obriga a assumir uma responsabilidade compartilhada. É indispensável trabalhar muito mais a partir da conscientização setorial e social, reforçando a prevenção, a educação familiar e o papel do Estado. É importante destacar que as plataformas oficiais e reguladas já estão avançando nesse caminho, implementando sistemas biométricos, controle de identidade e rastreabilidade de dados que impedem o acesso de menores. O desafio está em combater o jogo ilegal, que opera sem controles e expõe os mais vulneráveis. A solução não é negar a tecnologia, mas regulá-la, educar e agir com responsabilidade, protegendo quem mais precisa.

Se tivesse que escolher um chefe que marcou sua trajetória profissional, quem seria?

Sem dúvida alguma, Giorgio Gennari Litta, criador da SAGSE e verdadeiro visionário da indústria global de jogos. Há 34 anos ele teve a capacidade de imaginar e construir um evento com um olhar de expansão, profissionalismo e longo prazo, quando a indústria na região ainda estava em um estágio muito incipiente. Trabalhar ao seu lado foi uma escola permanente. Com ele, aprendi a importância de pensar em ecossistema, de antecipar as mudanças do mercado e de construir uma marca com identidade, credibilidade e projeção internacional. Sua visão continua sendo um pilar fundamental na evolução da SAGSE e na minha forma de entender esta indústria.

Qual foi o melhor conselho profissional que você já recebeu?

“A palavra é a lei.” Cumprir o que se diz, honrar os compromissos e agir com coerência constrói reputação e confiança. No longo prazo, isso vale mais do que qualquer contrato.

Se tivesse que resumir sua filosofia de liderança em uma única frase, qual seria?

Sempre para frente, em equipe. Porque os projetos sustentáveis são construídos com visão, constância e pessoas comprometidas caminhando na mesma direção.

O que você mais valoriza em um trabalho, além do salário?

O que mais valorizo são as relações humanas e a responsabilidade setorial que temos no que fazemos. Trabalhar com pessoas, construir confiança, gerar vínculos genuínos e equipes comprometidas é o que realmente sustenta qualquer projeto ao longo do tempo. Acredito profundamente que nossa indústria, como muitas outras, tem um impacto real na sociedade, e isso implica agir com consciência, ética e responsabilidade. Sentir que o trabalho que realizamos contribui para um ecossistema mais profissional, mais transparente e mais sustentável é um valor que não pode ser medido apenas em termos econômicos. Quando essas duas coisas estão presentes, o crescimento pessoal e profissional acontece como consequência.

Se não tivesse trabalhado nesta indústria, que outra profissão gostaria de ter exercido?

Sempre gostei de eventos e de reunir pessoas; outra profissão seria a de advogado.

Ping-Pong de Perguntas

Um livro que recomendaria?

O Pequeno Príncipe.

Um filme que te marcou?

De Volta para o Futuro.

Uma comida preferida?

Churrasco (Asado) Argentino.

Vinho ou cerveja?

Vinho Malbec.

Um lugar no mundo para viver?

Buenos Aires.

Um sonho pendente?

Viajar ao espaço.

Um hobby ou paixão fora do trabalho?

Cozinhar e fazer churrascos para os amigos.

Uma personalidade que você admira?

Maradona.

Trabalho no escritório ou em casa?

Remoto.

Um dia de praia ou no campo?

Praia.

Empregado ou empreendedor?

Empreendedor.

Se faz ou se nasce?

Se nasce.

Família & Amigos

Se seus pais tivessem que descrevê-lo sem mencionar seu cargo ou suas conquistas, o que diriam de você?

Sempre para frente, dando 100%.

Como seus amigos o descreveriam?

Fiel e leal.

Quem é aquela pessoa que ainda se atreve a lhe dizer 'você está errado' quando todos os outros dizem que sim?

Meus amigos.

Quanto sua família influenciou para que você pudesse estar onde está hoje?

100%. O apoio em casa sempre se reflete no trabalho.

Para qual pessoa, que está longe ou que já não está fisicamente presente, você gostaria de dar um abraço? O que diria?

Para o Giorgio, meu mentor. Diria a ele que o legado da SAGSE permanece intacto.

Sucessos e Fracassos

O que você diria para sua versão mais jovem que em algum momento esteve sofrendo ou prestes a desistir?

Que tudo vale a pena. Não desista, a vida é linda!

Qual foi a decisão mais difícil que você tomou em sua carreira e o que aprendeu com ela?

Aprender a ser paciente! É uma indústria onde a paciência traz recompensas.

Qual foi sua maior conquista e o que ela significou para você?

Nesta indústria não existe a “conquista definitiva”. Todo ano o botão é apertado e volta para o RESET: as empresas mudam, as pessoas mudam, os mercados e o contexto mudam. Tudo é profundamente dinâmico. Há mais de 24 anos entendi que o verdadeiro desafio não era alcançar um marco pontual, mas aprender a nos adaptar e nos reinventar constantemente como evento e como plataforma. A SAGSE não se sustenta por inércia; ela é reconstruída edição após edição. Por isso, minha maior conquista é anual: continuar sendo relevante, manter a confiança da indústria e conseguir que a SAGSE continue sendo um ponto de encontro válido e necessário, mesmo em cenários complexos. Esse exercício permanente de adaptação é, para mim, o verdadeiro sucesso.

O Legado

Onde você se vê em 5 ou 10 anos?

Vejo-me na mesma indústria, fazendo o que faço desde sempre: conectando a América Latina com os mercados internacionais. Colaborando ativamente com os Estados Unidos, Europa, África e Ásia, gerando pontes, oportunidades e relacionamentos de longo prazo. Ajudando as novas gerações. Ontem, hoje, amanhã e sempre, com a mesma convicção.

Como você gostaria de ser lembrado?

Como parte do legado da SAGSE. Como alguém que ajudou a sustentar, evoluir e projetar uma plataforma que transcendeu gerações e acompanhou o crescimento de toda uma indústria na região.

Se tivesse que dar um conselho de vida a outra pessoa, qual seria?

Ame o que você faz e faça o que você ama. Porque quando há paixão, comprometimento e coerência, o esforço vale a pena e os resultados chegam como consequência.

Que pergunta nunca lhe fizeram em uma entrevista e você gostaria de responder?

“Como você sabe quando dizer não, mesmo quando o negócio diz que sim?” Porque em 24 anos organizando eventos e construindo comunidades, aprendi que o crescimento real não vem apenas de somar, mas de escolher bem. Dizer não a um patrocinador que não se encaixa, a uma aliança que não respeita os valores do ecossistema ou a uma expansão prematura, muitas vezes é a diferença entre construir uma plataforma sustentável ou diluir uma marca. Na SAGSE entendi que o verdadeiro valor está em cuidar da qualidade das relações, proteger a confiança da indústria e pensar sempre no longo prazo. Isso implica tomar decisões desconfortáveis, mas também construir algo que transcenda um evento pontual e se torne uma referência para toda a região. Essa pergunta quase nunca aparece, mas define tudo o que fazemos.

Qual colega da indústria você gostaria de ver respondendo a esta nota?

Korbi Carrison, VP da G2E.