47% de jovens argentinos veem sites de apostas, diz Kids Online 2025

47% de jovens argentinos veem sites de apostas, diz Kids Online 2025

O avanço das apostas online entre menores voltou a acender os alarmes no sistema educativo argentino. A Pesquisa Kids Online 2025, realizada pela UNICEF e UNESCO, revelou que quase metade das crianças e adolescentes conhece nomes de sites de apostas, enquanto 1 em cada 4 jovens entre 12 e 17 anos já apostou pelo menos uma vez. Para instituições educativas, psicólogos e especialistas em ludopatia, o fenômeno está crescendo com uma velocidade inédita, impulsionado pela forte presença publicitária do setor.

Uma preocupação que chegou antes às salas de aula do que às estatísticas

Na Rede de Colégios Maristas, integrada por 26 instituições, o problema não foi detectado inicialmente ao ver os jovens apostando, mas sim ao observar as consequências.

Marcelo De Brito, diretor geral da rede, descreve o cenário:

Diante dessa situação, as escolas incorporaram conteúdos curriculares sobre ciberapostas e riscos digitais, conscientes de que os celulares “se tornaram pequenos cassinos portáteis”.

Publicidade onipresente e um ecossistema que naturaliza apostar

O psicólogo Bruno Gobelli, especialista em jogo compulsivo e orientador escolar, resume o problema: “Um jovem abre o TikTok, Instagram ou assiste a uma partida, e em todos os lugares aparece publicidade de apostas.”

A presença de casas de apostas legais e ilegais é massiva em:

Enquanto isso, o Congresso discute uma lei, com meio aval, que busca restringir essa publicidade, embora o projeto corra risco de perder estado parlamentar se não for tratado no Senado antes de 30 de novembro.

Um fenômeno que cresceu sem freios nos últimos anos

As plataformas de apostas online começaram a se expandir na Argentina desde 2019, quando a Cidade e a Província de Buenos Aires concederam as primeiras licenças. Hoje, todas as províncias regulam o jogo online, enquanto também operam sites ilegais que não controlam o acesso de menores.

Kids Online mostra:

Especialistas alertam que em encontros sociais de adolescentes é cada vez mais comum que os grupos apostem enquanto assistem a partidas, inclusive sem conhecer os times.

Gobelli estima que 2 em cada 10 jovens que começam “por diversão” podem desenvolver comportamentos viciantes.

Debate legislativo: regular, restringir ou proibir a publicidade?

A discussão política reflete duas posições claras:

1. A favor de limitar a publicidade

Defendem que afeta especialmente menores, normaliza apostas compulsivas e expõe adolescentes em plena formação.

A deputada Marcela Campagnoli lembra precedentes internacionais como a Premier League, que proibirá patrocinadores de apostas em camisetas a partir de 2026–27.

2. A favor de reforçar o controle sobre sites ilegais

É a postura da ALEA e autoridades provinciais.

Ida López, titular do Instituto de Jogos de Mendoza, afirma que restringir a publicidade de operadores legais fortaleceria o mercado clandestino, que já controla 70% do negócio segundo estimativas oficiais.

A Igreja e organizações sociais exigem ação imediata

A Conferência Episcopal Argentina advertiu que deixar cair a lei: “Seria um gesto de indiferença diante de um problema que afeta milhares de famílias.”

Reclamam um marco normativo nacional que complemente as regulações provinciais, com controles mais rigorosos e ferramentas preventivas.

Vozes da experiência: quando a publicidade alimenta o vício

Usuários que passaram pela ludopatia também descrevem a influência da publicidade:

Ambos concordam: a primeira saída é falar sobre o problema e ter redes de apoio.


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