Ativos congelados por jogo ilegal na Argentina de €4,1 milhões
A Argentina deu um novo golpe contra o jogo clandestino ao desarticular uma complexa estrutura financeira vinculada a apostas ilegais. Como resultado da investigação, a Justiça ordenou o congelamento de bens no valor de cerca de ARS$7.000 milhões, equivalentes a cerca de €4,1 milhões, pertencentes a uma rede acusada de operar à margem do marco regulatório e de lavar dinheiro em grande escala.
O principal acusado é Roberto Javier Zuco, de 54 anos, apontado como líder da organização e acusado de lavagem de ativos e exploração ilegal de jogos de azar. O juiz federal Jorge Rodríguez determinou sua detenção preventiva enquanto vigorar a medida de imobilização de ativos. O caso, que teve ampla repercussão em meios locais como La Nación, revelou a magnitude de uma economia paralela que operava quase exclusivamente por meio de canais digitais.
Uma rede clandestina sob a lupa
A investigação começou em maio de 2023, a partir de uma denúncia que alertou sobre a existência de uma organização criminosa dedicada às apostas online ilegais. O foco do processo aponta para uma plataforma conhecida como “Celuapuestas”, que teria oferecido serviços de jogo por meio de diversos sites e redes sociais sem qualquer tipo de autorização oficial, gerando receitas desde pelo menos 2020.
Em sua decisão, o magistrado destacou o caráter deliberado do esquema, projetado especificamente para operar fora do alcance dos órgãos de controle. Segundo a Justiça, o caso evidencia como o uso intensivo de tecnologia e circuitos financeiros alternativos pode facilitar a ocultação de grandes volumes de dinheiro ilícito.
O mecanismo da lavagem
De acordo com o processo, a organização teria utilizado um sistema de fragmentação de depósitos para evitar os controles do sistema financeiro formal. Para isso, valia-se de uma rede de intermediários, conhecidos como “mulas” ou caixas, que realizavam múltiplos depósitos bancários de baixo valor, evitando assim disparar alertas automáticos.
Uma vez que os fundos ingressavam no circuito financeiro, eram rapidamente canalizados para a aquisição de bens registráveis, como imóveis de alto valor e veículos de luxo, ou convertidos em criptoativos. Esse processo permitia, segundo a investigação, dar aparência legal ao dinheiro proveniente de atividades ilícitas.
Buscas e detenções
A amplitude da operação ficou evidente durante as buscas realizadas em 15 de outubro em bairros fechados da localidade de Canning, na província de Buenos Aires. Nesses procedimentos foram detidas 19 pessoas e apreendidos mais de 60 veículos, ARS$120 milhões em dinheiro, cerca de 40 computadores, numerosos dispositivos de armazenamento e telefones móveis. Também foram confiscadas três armas de fogo e 12 quilos de maconha.
Um dos episódios mais chamativos foi a detenção de Jorge Valdivia, de 48 anos, captado por um drone enquanto tentava fugir de um condomínio fechado com uma mala que continha ARS$12 milhões em dinheiro. Valdivia foi acusado como participante da rede e recebeu prisão domiciliar, além de ser ordenado o congelamento de bens no valor de ARS$2.000 milhões em seu nome.
Investigação em andamento
Embora as detenções iniciais tenham permitido desarticular o núcleo da organização, o caso está longe de ser encerrado. O promotor Santiago Marquevich, responsável pela investigação na Procuradoria Federal de Hurlingham, indicou que a estrutura pode ser ainda mais ampla do que se estimou inicialmente.
As autoridades continuam analisando o material apreendido e mantêm ativa a busca por pelo menos 19 pessoas foragidas. À medida que avançar a perícia das evidências digitais, não se descarta que surjam novas acusações e que se amplie o alcance de uma das maiores investigações recentes contra o jogo ilegal na Argentina.
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