Corrientes estima mais de 3.000 cassinos ilegais online na Argentina
Mais de 3.000 cassinos online ilegais operam na Argentina, segundo estimativa do Instituto de Loteria Correntina. Seu interventor, Javier Bee Sellares, alertou que essas plataformas se espalham por centenas de domínios, uma dispersão que torna lenta e cara qualquer tarefa de detecção e bloqueio.
O número surgiu de uma entrevista com a Rádio La Red Corrientes, na qual o funcionário focou em quem está do outro lado da tela. As estatísticas do órgão mostram que boa parte dos menores que apostam começa a fazê-lo por volta dos 13 anos, e que o telefone se transformou na principal via de acesso.
A comparação com o passado é simples. Antes, para jogar, um menor tinha que cruzar a porta de um cassino ou chegar a uma agência, e lá havia alguém capaz de impedi-lo. Hoje, basta um celular e uma plataforma sem licença.
Diante desse cenário, a Loteria Correntina trabalha em conjunto com o Ministério da Educação provincial em um programa de prevenção que já está em seu segundo ano. Inclui oficinas e palestras nas salas de aula, além de conteúdos que circulam pelos canais digitais já utilizados pelo sistema educacional provincial, com uma mensagem calibrada para alcançar as crianças e também aqueles que as cercam, professores, tutores e famílias. Bee Sellares fez um balanço positivo da primeira etapa porque, em sua opinião, serviu para instalar o tema na conversa social.
A conscientização, esclareceu, não é suficiente por si só. O funcionário pediu para atingir a infraestrutura financeira do circuito clandestino e enfatizou as carteiras virtuais e qualquer outro canal que permita o depósito ou retirada de fundos. Ele também apontou as redes sociais como o principal terreno de captação de usuários e pediu melhor coordenação entre os órgãos do Estado para dificultar a operação dessas plataformas.
Seu diagnóstico de fundo é que a expansão do jogo online após a pandemia correu mais rápido do que a capacidade de resposta do controle estatal. Daí a sua reivindicação por uma norma de alcance nacional que ordene a perseguição do mercado clandestino sem invadir as faculdades que cada província conserva sobre a matéria.
Na parte operacional, o órgão conta com uma área que recebe denúncias de jogo ilegal e está desenvolvendo ferramentas de inteligência artificial para rastrear na rede, com maior velocidade, tanto os sites não autorizados quanto os caixas virtuais que os sustentam. As atividades nas escolas, confirmou, continuam em andamento em formato presencial e virtual.
O jogo na Argentina é regulado por jurisdição: cada província e a Cidade de Buenos Aires define seu próprio regime e seu próprio órgão de controle, sem uma lei nacional que unifique critérios, e essa fragmentação é o que explica o pedido de uma norma federal para perseguir os operadores sem licença. O Instituto de Loteria Correntina administra os jogos de azar em Corrientes e vem desenvolvendo campanhas de conscientização sobre apostas ilegais direcionadas a adolescentes.
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