Cruz Roja: 60% dos adolescentes argentinos expostos a apostas online

Cruz Roja: 60% dos adolescentes argentinos expostos a apostas online

Um estudo nacional realizado pela Cruz Vermelha Argentina acendeu um novo alerta sobre o avanço das apostas online entre jovens de 13 a 18 anos. A pesquisa, desenvolvida pela Coordenação Nacional de Juventude e o Observatório Humanitário com apoio do Fundo da Imperatriz Shôken, abarcou 11.421 estudantes de 231 escolas em 16 províncias e revela um panorama de alta exposição, baixa percepção de risco e crescente impacto emocional.

Exposição massiva: o círculo social como principal porta de entrada

Os resultados mostram que 6 em cada 10 adolescentes estão direta ou indiretamente vinculados às apostas online, seja porque jogam (16%) ou porque convivem com pessoas que apostam (45%). Apenas 27% não têm contato com apostadores.

O ambiente de pares é determinante:

O estudo também expõe o forte impacto da publicidade digital, transmissões esportivas e influenciadores, que contribuem para naturalizar a atividade e facilitar o acesso a menores em ambientes sem controle de idade.

Motivações, consequências e papel familiar

As razões para iniciar variam: nos mais jovens predominam curiosidade, pressão social e baixa percepção de risco; nos mais velhos, expectativas econômicas. 40% dos adolescentes que apostam convivem com adultos que também o fazem.

O impacto já se reflete em indicadores preocupantes:

A diferença de gênero é marcada: 24% dos meninos apostaram, contra 8% das meninas, embora elas relatem maiores efeitos emocionais.

Confusão normativa: a maioria não distingue plataformas legais e ilegais

Entre 51% e 66% dos entrevistados não consegue identificar se um site é legal, e 80% considera que os sistemas atuais para impedir o acesso de menores não funcionam. Além disso, 4 em cada 10 adolescentes reivindicam capacitações escolares sobre riscos, algoritmos, carteiras digitais e formas de pedir ajuda.

Recomendações: educação, regulação e controles tecnológicos

O relatório destaca que tanto os ambientes familiares quanto escolares carecem de espaços de diálogo: entre 79% e 87% afirma que quase não se fala sobre o tema. Por isso, a Cruz Vermelha recomenda:

Segundo José Scioli, diretor do Observatório Humanitário,

“Os dados mostram claramente o risco a que estão expostas crianças e adolescentes. A publicidade permanente e as carteiras digitais são portas de entrada que não distinguem entre plataformas legais e ilegais.”

O estudo conclui que a problemática cresce em ritmo acelerado, especialmente na AMBA, a região mais afetada, e exige uma resposta coordenada entre escolas, famílias, setor público e plataformas digitais.

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