Cruz Roja: 60% dos adolescentes argentinos expostos a apostas online
Um estudo nacional realizado pela Cruz Vermelha Argentina acendeu um novo alerta sobre o avanço das apostas online entre jovens de 13 a 18 anos. A pesquisa, desenvolvida pela Coordenação Nacional de Juventude e o Observatório Humanitário com apoio do Fundo da Imperatriz Shôken, abarcou 11.421 estudantes de 231 escolas em 16 províncias e revela um panorama de alta exposição, baixa percepção de risco e crescente impacto emocional.
Exposição massiva: o círculo social como principal porta de entrada
Os resultados mostram que 6 em cada 10 adolescentes estão direta ou indiretamente vinculados às apostas online, seja porque jogam (16%) ou porque convivem com pessoas que apostam (45%). Apenas 27% não têm contato com apostadores.
O ambiente de pares é determinante:
- 57% dos adolescentes que jogam o fazem por influência de amigos.
- 78% dos que não apostam conheceram o fenômeno através do seu círculo social.
O estudo também expõe o forte impacto da publicidade digital, transmissões esportivas e influenciadores, que contribuem para naturalizar a atividade e facilitar o acesso a menores em ambientes sem controle de idade.
Motivações, consequências e papel familiar
As razões para iniciar variam: nos mais jovens predominam curiosidade, pressão social e baixa percepção de risco; nos mais velhos, expectativas econômicas. 40% dos adolescentes que apostam convivem com adultos que também o fazem.
O impacto já se reflete em indicadores preocupantes:
- 79% reconhece risco de dependência.
- 69% relata ansiedade ou mal-estar emocional.
- 47–49% sofre alterações do sono ou baixo rendimento escolar.
- 12% chegou a se endividar.
A diferença de gênero é marcada: 24% dos meninos apostaram, contra 8% das meninas, embora elas relatem maiores efeitos emocionais.
Confusão normativa: a maioria não distingue plataformas legais e ilegais
Entre 51% e 66% dos entrevistados não consegue identificar se um site é legal, e 80% considera que os sistemas atuais para impedir o acesso de menores não funcionam. Além disso, 4 em cada 10 adolescentes reivindicam capacitações escolares sobre riscos, algoritmos, carteiras digitais e formas de pedir ajuda.
Recomendações: educação, regulação e controles tecnológicos
O relatório destaca que tanto os ambientes familiares quanto escolares carecem de espaços de diálogo: entre 79% e 87% afirma que quase não se fala sobre o tema. Por isso, a Cruz Vermelha recomenda:
- Fortalecer verificações de idade e bloquear sites ilegais.
- Regular a publicidade digital e influenciadores que impactam diretamente os menores.
- Incorporar alfabetização digital e financeira nas escolas.
- Gerar campanhas de prevenção desenhadas junto a adolescentes.
- Melhorar a segurança das carteiras virtuais e mecanismos de identificação.
Segundo José Scioli, diretor do Observatório Humanitário,
“Os dados mostram claramente o risco a que estão expostas crianças e adolescentes. A publicidade permanente e as carteiras digitais são portas de entrada que não distinguem entre plataformas legais e ilegais.”
O estudo conclui que a problemática cresce em ritmo acelerado, especialmente na AMBA, a região mais afetada, e exige uma resposta coordenada entre escolas, famílias, setor público e plataformas digitais.
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