Golpe na Argentina: US$ 2,5 milhões e ouro em jogo clandestino
Em uma operação ordenada pelo promotor Santiago Marquevich, foram abertas sete caixas de segurança na localidade de Canning. A descoberta de dinheiro em espécie, joias e escrituras imobiliárias complica a situação processual de Roberto Zuco, detido por infringir o Artigo 301 Bis do Código Penal.
A luta contra o jogo ilegal na província de Buenos Aires deu um novo golpe financeiro às estruturas clandestinas. A Justiça Federal da Argentina ordenou a abertura de sete caixas de segurança vinculadas à organização conhecida como "Celuapuestas", uma rede que operava cassinos online sem licença por meio de redes sociais e WhatsApp. O resultado da operação foi contundente: foram apreendidos USD 2.511.953, mais de 10 milhões de pesos argentinos, 5.855 euros, um lingote de ouro de 50 gramas e diversas joias.
Essa apreensão não é um fato isolado, mas a continuação de um caso iniciado em maio de 2023 que busca desmontar a rota do dinheiro dessas organizações. Diferentemente dos operadores regulados que tributam e bancarizam suas operações, redes como "Celuapuestas" dependem de uma estrutura piramidal de "caixas" que movimentam dinheiro físico, o que explica a necessidade de acumular grandes quantias em cofres de segurança privados para posterior lavagem.
Operação em Canning: Caixas de segurança cheias e a rota da lavagem de ativos
As caixas de segurança estavam em uma empresa de guarda de valores na localidade de Canning, partido de Ezeiza. Segundo fontes judiciais, a descoberta mais comprometedora não foi apenas o dinheiro em espécie, mas a documentação apreendida. As autoridades encontraram contratos de compra e venda de imóveis, um elemento chave que poderia permitir aos investigadores reconstruir as manobras de lavagem de dinheiro.
O promotor federal Santiago Marquevich foi preciso em seu parecer ao solicitar não apenas a apreensão dos valores, mas também o registro histórico de acessos a esses cofres. A promotoria busca cruzar os dados de datas e horários de entrada e saída com os movimentos financeiros da quadrilha para determinar a participação de outros laranjas. Uma das caixas, de fato, estava em nome de Marta del Valle Santucho, que atualmente está foragida, embora Roberto Zuco, o suposto líder detido, constasse como autorizado a operar a mesma.
Do "Celuapuestas" ao Artigo 301 Bis: A queda de uma organização complexa
A investigação revelou que essa rede não era uma operação pequena. Em outubro de 2025, Zuco e outros suspeitos foram detidos após múltiplas buscas em três condomínios fechados (countries) da zona sul bonaerense. Nessa primeira fase, a Gendarmaria Nacional já havia apreendido uma frota de 60 veículos de alta gama, junto com 120 milhões de pesos e 20 mil dólares, evidenciando o alto poder aquisitivo da organização.
Este caso enquadra-se na infração ao Artigo 301 Bis do Código Penal Argentino, que pune com prisão de três a seis anos quem explorar, administrar ou operar jogos de azar sem a autorização da autoridade jurisdicional competente. A análise dos contratos de compra e venda encontrados agora visa identificar os "facilitadores" financeiros que ajudaram a transformar os lucros do jogo ilegal em ativos imobiliários lícitos, fechando assim o cerco sobre toda a estrutura criminosa.
Etiquetas: Argentina, cassino ilegal Argentina, cassinos clandestinos na Argentina, Celuapuestas, Roberto Zuco