Anatel e Fazenda bloqueiam 25 mil sites de apostas ilegais
Edson Holanda, conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações, revelou durante o evento 'Bet On Brasil' a escala da ofensiva contra o jogo clandestino. A operação conjunta com o Banco Central busca não apenas impedir o acesso web, mas cortar o fluxo financeiro das plataformas não autorizadas.
A regulamentação do jogo no Brasil não se limita a conceder licenças; implica também uma das maiores operações de limpeza digital do mundo. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou que, graças a um trabalho coordenado com o Ministério da Fazenda, foram bloqueadas cerca de 25.000 páginas web de apostas ilegais ao longo de 2025.
Esse número foi compartilhado por Edson Holanda, conselheiro do órgão regulador, durante sua participação no fórum Bet On Brasil. O funcionário destacou que a efetividade dessas medidas reside na integração de diferentes braços do Estado, superando as dificuldades técnicas que implica fiscalizar um território continental com uma infraestrutura de telecomunicações descentralizada.
A logística do "apagão": Como se coordena o bloqueio com 17.000 ISPs
O aspecto mais complexo dessa ofensiva é a capilaridade da rede brasileira. Ao contrário de outros países onde o mercado de internet está concentrado em poucos atores, o Brasil conta com milhares de provedores regionais de serviços de internet (ISPs). Holanda explicou o procedimento técnico: uma vez que a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) emite a ordem de ilegalidade de um domínio, a Anatel processa a instrução e a distribui a cerca de 17.000 agentes econômicos regulados.
Esses agentes, que vão desde gigantes como Vivo ou Claro até pequenos provedores municipais de fibra óptica, são os responsáveis finais por implementar o bloqueio técnico (geralmente via DNS ou IP) para impedir que os usuários brasileiros acessem a oferta clandestina. Segundo o conselheiro, embora o processo enfrente desafios operacionais, tem sido conduzido de maneira eficiente para normalizar o setor.
Estratégia multidimensional: Do bloqueio de IP à asfixia financeira com o Banco Central
O bloqueio de domínios é apenas uma parte da equação. Holanda ressaltou a importância crítica da colaboração com o Banco Central do Brasil (BCB). Enquanto a Anatel corta o acesso, o BCB trabalha para identificar e bloquear as transações financeiras, impedindo que o sistema de pagamentos instantâneos Pix seja utilizado por operadores sem licença.
O objetivo final é recuperar os recursos que hoje fluem para o mercado negro e transformá-los em arrecadação fiscal e benefícios sociais. Além disso, a Anatel integrou seus esforços com o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual, dependente do Ministério da Justiça, entendendo que o jogo ilegal frequentemente utiliza as mesmas rotas digitais que a pirataria de conteúdos e o contrabando digital.
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