Brasil: Boulos redobra críticas a apostas online e pede proibição

Brasil: Boulos redobra críticas a apostas online e pede proibição

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, voltou a atacar as casas de apostas online e pediu sua proibição total no país. Durante uma entrevista ao programa Bom dia, Ministro, o funcionário afirmou que as bets estão financiando uma grande quantidade de perfis em redes sociais utilizados para atacar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em uma das acusações mais duras formuladas até agora por um integrante do Executivo contra o setor regulado.

Boulos sustentou que as plataformas estariam vinculadas a operações policiais recentes e que também apoiariam um universo extenso de contas dedicadas à desinformação política. Segundo o ministro, o presidente tem plena consciência de que a regulamentação vigente, em operação desde janeiro deste ano, não resolveu os problemas associados à atividade das apostas online, e por isso defendeu a proibição integral do segmento.

O funcionário foi além e assegurou que Executivo e Legislativo devem encontrar um caminho para acabar com o que qualificou como a farra das bets no Brasil. Em sua leitura, as plataformas estariam consumindo o tempo livre dos trabalhadores e arruinando as famílias com dívidas vinculadas ao jogo, um argumento que vem se repetindo desde o discurso de Lula de 1º de maio em que foi anunciado o Novo Desenrola Brasil.

As declarações de Boulos aprofundam a pressão política sobre um setor que está pagando licenças, tributos e contribuições ao sistema de jogo responsável há apenas cinco meses do início do regime federal. A estratégia oficial combina mensagens de proibição com medidas como o bloqueio do CPF em bets durante um ano para quem aderir ao Desenrola, o que já gerou fortes críticas por parte da ANJL e outras entidades do setor regulado.

O posicionamento governamental ignora, segundo a indústria, que a oferta ilegal continua captando a maior parte da demanda de apostas não canalizada para operadores autorizados. Dados da Anatel e de consultorias do setor indicam que persistem milhares de sites clandestinos acessíveis do Brasil, muitos sem domicílio fiscal no país e com baixa capacidade de bloqueio efetivo, o que põe em dúvida a eficácia real das restrições aplicadas apenas às 84 empresas regularizadas.

Para a América Latina, onde o Brasil representa o mercado regulado mais amplo e dinâmico, a radicalização do discurso oficial contra as bets é um sinal de alerta. Operadores e provedores que investiram milhões em conformidade, integrações técnicas e campanhas de jogo responsável observam com preocupação como se erode o apoio político ao modelo regulatório, em um momento chave em que outros países da região, como Peru, Chile e Argentina, estão definindo ou ampliando seus próprios marcos legais.

Etiquetas: Brasil, regulação de apostas no Brasil, proibição de apostas no Brasil, Guilherme Boulos