Caixa adia lançamento de apostas por ordem do presidente Lula
O banco estatal brasileiro Caixa Econômica Federal suspendeu o lançamento de sua aguardada plataforma nacional de apostas esportivas, inicialmente prevista para estrear antes do final de 2025.
Segundo fontes do Governo, a decisão foi tomada por ordem direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após um crescente debate político sobre a conveniência de uma entidade pública ingressar no negócio de jogos online.
A plataforma — que pretendia iniciar operações plenas em 2026 — projetava gerar cerca de R$2.500 milhões (USD 440 milhões) em receitas anuais, com o objetivo de competir com as casas de apostas privadas e recuperar parte dos fundos que hoje se perdem em sites offshore não regulados.
No entanto, o projeto enfrentou resistência no Congresso, onde legisladores da oposição criticaram seu lançamento e questionaram as prioridades do Executivo. Em resposta, Lula teria solicitado à Caixa o adiamento indefinido da iniciativa.
De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência, o banco deverá concentrar seus esforços em programas mais alinhados com a agenda governamental, como o plano de renovação de moradias por R$40.000 milhões e uma nova linha de crédito para entregadores de motocicleta, desenvolvida em conjunto com o Ministério do Trabalho.
A Caixa também prepara o anúncio de novos projetos de sustentabilidade, que serão apresentados durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP) neste mês.
As tensões em torno do projeto se intensificaram no final de outubro, quando Lula estava em uma turnê pela Ásia e a imprensa repercutiu as críticas da oposição.
De volta ao Brasil, o presidente manteve uma reunião direta com o titular da Caixa, Carlos Vieira, para avaliar a continuidade do plano.
Apesar da suspensão, a direção do banco mantém seu apoio técnico à proposta. Executivos da Caixa argumentam que uma plataforma estatal permitiria arrecadar impostos e frear a evasão fiscal gerada por operadores internacionais que atuam sem licença.
Segundo dados do próprio banco, as receitas com loterias caíram 50% desde o auge das apostas online, o que reduziu os fundos públicos derivados desse segmento, já que 48% da arrecadação das loterias da Caixa é destinada a programas sociais.
O projeto estava em estudo desde o início de 2024 e já contava com a aprovação técnica do Ministério da Fazenda, embora ainda não tivesse recebido a autorização política final do Executivo.
Por enquanto, o lançamento da plataforma fica em pausa, enquanto o Governo redefine o papel que a Caixa deverá desempenhar na economia digital e na futura estrutura do mercado regulado de apostas no Brasil.
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