O Banco Central do Brasil questiona os anúncios de apostas
O Banco Central do Brasil focou em um cruzamento que até então havia passado quase despercebido: a publicidade de sites de apostas esportivas dentro dos aplicativos e páginas das instituições financeiras. A diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta do órgão, Izabela Correa, questionou essa prática durante a Cúpula Zetta 2026, realizada na terça-feira, 1º de setembro, em Brasília, e reforçou uma proposta que no mesmo evento havia sido feita pelo diretor de Supervisão, Ailton de Aquino.
O cerne do questionamento é a responsabilidade do sistema financeiro. Correa afirmou que as entidades devem assumir um papel não apenas na oferta de produtos, mas também na educação financeira dos consumidores, e advertiu que o ambiente digital apresenta vieses comportamentais que exigem a atenção da autoridade monetária. Nessa linha, ela argumentou que é incoerente que um banco tenha um aplicativo e, ao mesmo tempo, ofereça e promova em sua página inicial um site de apostas, e ressaltou que as apostas esportivas implicam um maior risco de inadimplência para os consumidores.
A discussão ocorre enquanto o Banco Central estuda medidas para ampliar a proteção ao consumidor diante do aumento do endividamento vinculado ao jogo. O próprio órgão informou que avançou com estudos e discussões internas para estabelecer uma normativa de proteção específica para o ambiente digital, que poderá ser publicada nos próximos meses.
O Banco Central do Brasil é a autoridade monetária do país e, entre suas funções, supervisiona a conduta das instituições financeiras e a proteção dos consumidores do sistema. Sua intervenção adiciona um novo ator à crescente pressão regulatória sobre as apostas online no Brasil, desta vez sob o ângulo do sistema financeiro e do superendividamento, em paralelo às medidas impulsionadas pelo Governo e outros órgãos.
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