Fiscal SP alerta: casas de apostas usadas por influencers para lavar
O Ministério Público de São Paulo voltou a acender os alarmes sobre a ligação entre o crime organizado e as casas de apostas. Durante uma audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, o promotor Paulo Lincoln Gakiya afirmou que grupos criminosos estão utilizando plataformas de apostas, e contratos com influenciadores, como mecanismo para lavar dinheiro, segundo informou a BNLData.
O promotor assegurou aos senadores que a sofisticação da lavagem de dinheiro não passa mais por dinheiro em espécie, mas por estruturas digitais que incluem acordos publicitários. “Muitas dessas empresas estão sendo usadas pelo crime organizado para lavar dinheiro. Utilizam certos influenciadores que, em poucos anos, acumulam fortunas graças a contratos com casas de apostas, mas que estão diretamente ligados a esquemas de lavagem. Isso virá à tona em breve”, alertou.
O crime organizado aproveita falhas do sistema
A sessão do Senado reforçou a ideia de que o avanço do crime organizado se apoia em fraquezas estatais. Os senadores apontaram falhas na fiscalização financeira, disputas institucionais e a falta de controle no sistema penitenciário como fatores que facilitam sua expansão.
O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), qualificou o fenômeno como um “problema de Estado”, com capacidade de influenciar e corromper políticas públicas.
Paralelamente, na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi interrogado sobre os mecanismos de controle para detectar transações irregulares vinculadas a apostas e fintechs.
Aviso reiterado
Não é a primeira vez que Gakiya aponta riscos vinculados à indústria de apostas. Em setembro, no programa Roda Viva, já havia mencionado indícios de lavagem de dinheiro através de plataformas de apostas e figuras públicas que as promovem.
O promotor, no entanto, não especificou se os casos sob investigação envolvem operadores legais ou sites ilegais, embora tenha insistido que a combinação de falta de regulação, pouca supervisão e alta rentabilidade é um ímã para a criminalidade organizada.
Preocupação institucional
O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), lembrou que várias agências, Polícia Federal, Serviço de Impostos Internos e Ministério Público Federal, já haviam alertado anteriormente que a expansão do mercado de apostas poderia se tornar uma via para a lavagem de dinheiro se os mecanismos de controle não fossem fortalecidos.
Vieira ressaltou que o crescimento desordenado do mercado ocorre onde o Estado não age com firmeza: “O crime organizado busca espaços de opacidade; se não houver regulação ou supervisão efetiva, esses vazios serão ocupados”.
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