Lottopar pagou US$ 63,7 milhões em prêmios em nove meses de 2026

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Os dois números que a Loteria do Estado do Paraná incluiu no mesmo comunicado medem coisas diferentes e convém separá-los antes de analisá-los. A Lottopar arrecadou mais de R$60m, cerca de US$11,2m, desde que começou a operar em 2024 e, paralelamente, a loteria instantânea que ela regulamenta distribuiu mais de R$610m, cerca de US$114m, em prêmios durante esse mesmo período. O primeiro valor é o que entra para o Estado; o segundo é o que sai para os jogadores a partir do caixa da concessionária — e um é dez vezes maior que o outro, sem que haja contradição alguma entre ambos.

A progressão dos prêmios é o que melhor descreve a velocidade do mercado. Em 2024, a loteria instantânea pagou R$4,3m, cerca de US$800.000; em 2025, chegou a R$208,1m, cerca de US$38,9m; e, nos primeiros nove meses de 2026, distribuiu R$340,5m, cerca de US$63,7m. O salto de 2024 para 2025 foi de quase cinquenta vezes, e o acumulado de nove meses deste ano já supera em 64% o total do ano anterior completo.

Projetado para doze meses, esse ritmo dá uma dimensão mais clara. Os R$340,5m de janeiro a setembro equivalem a cerca de R$454m anuais, ou seja, 2026 fecharia com mais do que o dobro dos prêmios de 2025. Para um mercado que começou há dois anos, a curva ainda está em sua fase de expansão, e não na de maturação que o próprio órgão descreve.

O argumento que a Lottopar constrói em torno desses números é de política pública antes de ser de negócio. A autarquia sustenta que oferecer alternativas legais e fiscalizadas cria as condições para que a demanda hoje atendida pelo circuito clandestino migre de maneira gradual, o que reduziria o espaço de atividades associadas à lavagem de dinheiro, fraudes e outros crimes. É a tese da canalização aplicada à loteria instantânea.

A diferença operacional que o órgão aponta entre os dois circuitos é verificável e constitui a parte mais sólida de sua argumentação. À concessionária autorizada recaem políticas de jogo responsável, prevenção à lavagem de dinheiro, controle financeiro e regras de identificação — um pacote de exigências que a autarquia vai aprimorando à medida que a rede de vendas cresce e o mercado se consolida. O operador clandestino, por definição, não cumpre nenhuma dessas obrigações, e é aí que reside a vantagem competitiva que a regulamentação tenta neutralizar.

Daniel Romanowski, diretor-presidente da autarquia, enfatizou o alcance do mandato. "O papel da Lottopar vai muito além da exploração de loterias", afirmou, descrevendo o objetivo como a estruturação de um mercado legal, responsável e fiscalizado, que proteja o apostador, reduza o espaço do circuito clandestino e devolva recursos à sociedade. Sobre o estágio do setor, ele foi mais comedido: "Apesar de ser um mercado ainda em maturação, a loteria apresenta crescimento contínuo e sustentável".

A Lottopar é a Loteria do Estado do Paraná, a autarquia que regula e fiscaliza os jogos lotéricos no estado e concede sua exploração a operadores privados. O Brasil habilitou os estados a organizarem suas próprias loterias após uma decisão do Supremo Tribunal Federal em 2020, que quebrou o monopólio federal sobre a matéria, e vários estados criaram desde então seus próprios órgãos e regimes de concessão. Essa competência estadual é independente do mercado federal de apostas de quota fixa, que a medida provisória 1.394/2026 encerrou em setembro e cujo futuro agora é debatido no Congresso Nacional e no Supremo.

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