Lula reúne os seus ministros pelo futuro das apostas online

Lula reúne os seus ministros pelo futuro das apostas online

A ofensiva de Luiz Inácio Lula da Silva contra o jogo online somou um novo capítulo quando o presidente brasileiro transferiu a discussão ao coração do seu Governo. Por fora da agenda oficial, e com um aviso que a vários ministros chegou apenas naquela mesma manhã, o mandatário os convocou no Palácio da Alvorada para pôr sobre a mesa o que fazer com um setor que ele mesmo regulou e que agora questiona sem matizes.

A convocatória não caiu de surpresa. Dias antes, Lula havia voltado a dizer em público que as plataformas de apostas deveriam justificar com uma razão social a sua permanência no país e que, de não fazê-lo, corresponderia terminar com a atividade, um planejamento que ele mesmo admitiu chocaria com a chamada bancada das apostas dentro do Congresso. A reunião foi, nos fatos, a tradução interna dessa postura.

O que chamou a atenção foi o peso dos presentes. Junto ao vice-presidente Geraldo Alckmin sentaram-se os titulares da Fazenda, Dario Durigan, de Relações Institucionais, José Guimarães, de Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, de Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, da Casa Civil, Miriam Belchior, e de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Que à mesma mesa se sentassem as áreas econômica, judicial, orçamentária e de articulação política deixou claro que o Governo não encara o tema como uma questão meramente fiscal. A agenda, além disso, não se esgotou nas apostas: também entrou a discussão pela tributação das compras internacionais de baixo valor, a chamada taxa das blusinhas.

O movimento apoia-se em uma bateria de medidas que o oficialismo vem acumulando para conter os efeitos da atividade, entre elas o endurecimento publicitário que a Fazenda dispôs em julho, com advertências obrigatórias sobre os riscos de apostar nas campanhas. E tem um pano de fundo eleitoral difícil de disfarçar: à medida que se aproxima a eleição presidencial de outubro, Lula afiou o discurso contra o setor e antecipou que o levará como bandeira à sua tentativa de reeleição.

Apesar do desdobramento, a cúpula terminou sem anúncios. Não houve medida concreta sobre a mesa, nem mudanças ao marco regulatório, nem um calendário para avançar para uma eventual proibição, de modo que as casas seguem operando com as regras vigentes. A definição real, em qualquer caso, não depende do Palácio da Alvorada: qualquer reforma de fundo terá que passar pelo Congresso, onde os defensores do mercado regulado têm força para resistir, e esse será o terreno onde se jogue de verdade o futuro do setor.

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