Mercados de previsão projetam US$ 1 trilhão para o ano de 2030
Os mercados de previsão devem atingir um volume de US$ 1 trilhão até 2030, de acordo com análises da Bloomberg Intelligence. A projeção é sustentada pelo crescimento acelerado de plataformas como Polymarket e Kalshi, que movimentaram US$ 300 bilhões em volume negociado em 2026, em comparação com os US$ 51 bilhões estimados para 2025. No entanto, esse crescimento exponencial ocorre simultaneamente com uma ofensiva regulatória na América Latina que questiona a classificação legal desses instrumentos.
A incerteza regulatória na região se concentra em uma pergunta fundamental: os mercados de previsão são instrumentos de mercado derivativo ou funcionam como apostas esportivas online regulamentadas? Essa classificação determina as autoridades competentes, os requisitos de licença e a tributação aplicável. Na Colômbia, a Coljuegos solicitou aos provedores de internet o bloqueio do Polymarket. No Brasil, o Governo interveio em ambas as plataformas em abril de 2026, considerando que ofereciam produtos funcionalmente semelhantes a apostas esportivas, bloqueando também 27 plataformas relacionadas.
A Argentina avançou com sua própria resposta regulatória. A Loteria da Cidade de Buenos Aires (LOTBA) promoveu uma investigação que concluiu que o Polymarket apresenta semelhanças funcionais com modalidades de apostas já regulamentadas sob supervisão local. As autoridades argentinas implementaram bloqueios, revisão de meios de pagamento, monitoramento digital e supervisão de operadores não autorizados. O México mantém uma abordagem menos confrontacional, mas não menos preocupada: Miguel Ángel Ochoa, presidente da AIEJA, concluiu que as plataformas de previsão exigiriam autorização para operar legalmente no país.
O Polymarket apresentou sua posição aos reguladores, argumentando que oferece contratos de eventos entre pares, distintos das operações de casas de apostas. A plataforma manifestou disposição para colaborar com as jurisdições para promover a inovação responsável, mas as respostas regulatórias latino-americanas indicam que esse argumento não é suficiente diante de legislações nacionais que já cobrem amplamente os mercados de previsão sob categorias de apostas.
Na América Latina, o caso dos mercados de previsão ilustra um desafio regulatório central da próxima década: inovações financeiras e tecnológicas que replicam características de produtos regulamentados sob diferentes nomenclaturas, geram lacunas legais temporárias e obrigam as autoridades a escolher entre a proibição rápida ou a regulamentação ágil. A tendência observada internacionalmente, segundo André Gelfi do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, não é proibir a inovação, mas buscar a coerência regulatória. Para a região, isso significa desenvolver marcos que reconheçam a atividade sob categorias existentes enquanto se constroem padrões específicos para novas modalidades.
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