Organizações contra dependência exigem veto total à publicidade de

Organizações contra dependência exigem veto total à publicidade de

A UNAD voltou a colocar no centro do debate a comunicação comercial do setor de jogos na Espanha ao insistir na eliminação “de maneira absoluta” da publicidade de apostas e jogos de azar. O pronunciamento, divulgado em 30 de outubro de 2025 e recolhido pela Yogonet Latinoamérica, ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre as estratégias de marketing de operadores presenciais e online. O pedido abrange todo o ecossistema publicitário, desde patrocínios e ativações em eventos esportivos até campanhas digitais, televisão, rádio e suportes exteriores. O movimento se insere em uma discussão já madura sobre o equilíbrio entre a proteção ao consumidor e a sustentabilidade de uma indústria regulada que gera emprego, investimento e fiscalidade.

De acordo com a nota intitulada “A UNAD reitera seu pedido de eliminar de maneira ‘absoluta’ a publicidade de apostas e jogos de azar”, a organização sustenta sua posição com um chamado explícito para retirar qualquer manifestação publicitária vinculada às atividades de jogo. A cobertura aparece na Yogonet sob a data 2025/10/30 e se enquadra em múltiplas categorias setoriais, entre elas Cassinos e Bingos, Empresas, Legislação, Loterias, Jogo Online, Associações, Apostas Esportivas, Entrevistas, eSports, Colunistas, Eventos e Jogo Ilegal. A amplitude dessas categorias reflete o caráter transversal da solicitação, que impactaria não apenas operadores e casas de apostas, mas também meios de comunicação, clubes esportivos, plataformas de streaming, equipes de eSports, afiliados e organizadores de eventos. A demanda por um veto absoluto significaria, na prática, a cessação de patrocínios, ativações de marca, promoções e campanhas de aquisição e retenção em todos os canais.

A UNAD é uma rede de entidades especializadas no atendimento e prevenção de dependências com uma longa trajetória de incidência pública na Espanha, com foco na redução de danos e na proteção de grupos vulneráveis. Nos últimos anos, a organização tem participado de consultas e fóruns sobre consumo problemático, incluindo o jogo, e tem solicitado medidas mais restritivas sobre a exposição publicitária. Seu posicionamento costuma se apoiar em evidência epidemiológica e na experiência de suas entidades federadas na linha de frente da intervenção social. Com este novo pronunciamento, a rede reforça uma linha de trabalho que a colocou como interlocutora frequente em debates legislativos e regulatórios relacionados a condutas aditivas e ambientes de risco.

O marco regulatório espanhol para o jogo se articula em torno da Lei 13/2011, sob a supervisão da Direção Geral de Ordenação do Jogo (DGOJ), e foi endurecido com normativas específicas em matéria de comunicações comerciais desde 2020. Em particular, o Real Decreto 958/2020 estabeleceu faixas horárias restritas, limitou o uso de influenciadores e patrocínios esportivos e delimitou os incentivos comerciais, reconfigurando a estratégia de marketing dos operadores com licença. A isso somam-se disposições posteriores sobre ambientes de jogo mais seguros, com obrigações de monitoramento de risco, segmentação de usuários e controles reforçados em jovens. No ambiente europeu, existem referências relevantes: a Itália aplicou uma proibição quase total de publicidade com o denominado “Decreto Dignità” em 2019; a Bélgica implementou fortes restrições em 2023; e os Países Baixos vetaram a publicidade não segmentada nesse mesmo ano, enquanto o Reino Unido optou por ajustes graduais em patrocínios e cumprimento.

Para a indústria iGaming e de apostas esportivas, um veto “absoluto” na Espanha teria impactos estruturais na aquisição, fidelização e relação com o ecossistema esportivo e midiático. Operadores com presença no mercado espanhol — entre outros, marcas de grupos internacionais e companhias locais com atividade em apostas e cassino online — veriam restringidos os canais de captação, obrigando-se a priorizar estratégias de CRM, responsabilidade social e comunicação corporativa não comercial. O patrocínio no esporte profissional e semiprofissional, assim como nos eSports, sofreria um reajuste com implicações financeiras para clubes, ligas e organizadores de torneios, que nos últimos anos dependeram de acordos de naming, front-of-shirt e ativações digitais. Também aumentaria a pressão sobre a cadeia de afiliação e performance marketing para se adaptar a um ambiente de compliance mais estrito, ao mesmo tempo em que os meios enfrentariam a perda de receitas publicitárias associadas a este vertical. Paralelamente, os reguladores costumam vigiar para que restrições amplas não favoreçam o jogo não autorizado, aspecto que a categoria “Jogo Ilegal” destaca como risco a mitigar mediante rastreabilidade de pagamentos, controle de domínio e medidas de canalização.

De olho no futuro, a reiteração da UNAD pode acelerar rodadas de diálogo entre a administração, o regulador, associações de operadores, entidades de consumidores e agentes do esporte para avaliar o alcance e os efeitos de novas limitações. Qualquer modificação relevante poderia vir pela via regulamentar ou legislativa, após avaliar a eficácia das restrições vigentes e os indicadores de prevalência, exposição publicitária e canalização para operadores com licença. O debate provavelmente considerará o tratamento diferenciado de loterias de titularidade pública e entidades como ONCE em relação a operadores privados, assim como o alinhamento com padrões europeus e compromissos de jogo mais seguro. À espera de definições, o setor deverá antecipar cenários de cumprimento reforçado, redesenho de estratégias comerciais e maior investimento em ferramentas de proteção ao consumidor, em um mercado onde a sustentabilidade regulatória e a integridade publicitária são cada vez mais determinantes.

Etiquetas: Espanha, UNAD, publicidade de apostas, bloqueio de publicidade de apostas