Peru: Ludopatia em alta em 2025, impactando menores de idade
O Seguro Social de Saúde (EsSalud) alertou sobre um aumento significativo nos casos de ludopatia atendidos durante 2025. Entre janeiro e a data do relatório, foram identificados 177 pacientes com esse vício em suas redes prestacionais e assistenciais a nível nacional, o que representa um aumento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.
A tendência é ainda mais alarmante no caso de meninas, meninos e adolescentes: os diagnósticos no grupo de 0 a 17 anos cresceram 18%, um número que reflete a crescente exposição de menores a plataformas de apostas digitais e dinâmicas de jogo com componentes viciantes.
Os riscos das mecânicas digitais e a exposição precoce
A psiquiatra do EsSalud, Dra. Paula Vizcarra Flores, explicou que os menores hoje têm mais acesso a celulares, computadores e videogames que incorporam mecânicas similares às apostas, como loot boxes, roletas e recompensas aleatórias.
“Embora as crianças não manuseiem dinheiro, algumas práticas familiares, como promover prognósticos esportivos ou incentivar jogos de azar em casa, podem estabelecer as bases de uma relação precoce e arriscada com o jogo”, alertou.
Segundo a especialista, as plataformas digitais costumam ser mais estimulantes que um cassino físico, devido às suas animações, sons chamativos e recompensas rápidas, elementos que tornam a experiência mais envolvente. “Ter o cassino no celular facilita apostar com maior frequência e a qualquer momento”, afirmou.
Sinais de alerta para pais e cuidadores
EsSalud pediu às famílias que mantenham vigilância ativa e detectem comportamentos que podem indicar o início de um problema:
- Uso frequente de dinheiro em jogos digitais.
- Solicitações constantes de recargas ou compras online.
- Obsessão por obter recompensas dentro de videogames ou aplicativos.
- Irritabilidade, ansiedade ou mudanças de humor ao limitar o acesso às telas.
- Baixo rendimento acadêmico ou dificuldade para se concentrar.
- Isolamento social ou perda de interesse em atividades fora do ambiente digital.
Vizcarra lembrou que a ludopatia pode causar conflitos familiares, endividamento, isolamento emocional e perda de controle. Em menores, as consequências incluem ansiedade, irritabilidade e diminuição das atividades recreativas.
Recomendações de prevenção
EsSalud sugeriu diversas medidas para reduzir o risco de que crianças e adolescentes desenvolvam comportamentos problemáticos de jogo:
- Supervisionar o uso de celulares, computadores e videogames.
- Limitar a exposição a plataformas com mecânicas similares às apostas.
- Evitar que menores participem de bolões, prognósticos ou apostas familiares.
- Promover atividades esportivas, artísticas ou recreativas fora das telas.
- Manter um diálogo constante e oferecer acompanhamento emocional.
O aumento nos casos de ludopatia, especialmente entre menores, reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas preventivas e programas educativos que abordem o impacto do jogo digital, as apostas online e as mecânicas viciantes na infância e adolescência.
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