Peru: SBS endurece prevenção de LA/FT em iGaming, aprova regras

Peru: SBS endurece prevenção de LA/FT em iGaming, aprova regras

A Superintendência de Bancos, Seguros e AFP (SBS) aprovou um marco normativo específico em matéria de lavagem de ativos para operadores de apostas online, um marco que reforça a arquitetura de conformidade do ecossistema digital de jogos no país. O avanço, informado em 15 de outubro de 2025, busca fortalecer os controles antilavagem e contra o financiamento do terrorismo (LA/FT) em um segmento que cresceu aceleradamente com a digitalização dos serviços de entretenimento e apostas esportivas. Esta decisão está alinhada às melhores práticas internacionais e responde à necessidade de mitigar riscos inerentes ao canal online, como a anonimização de transações e a alta velocidade dos fluxos financeiros. Para a indústria, o movimento da autoridade marca um ponto de inflexão rumo a padrões de compliance mais exigentes e homologáveis com mercados maduros.

O novo marco normativo em matéria de lavagem de ativos para operadores de apostas online estabelece diretrizes que abrangem a identificação e gestão de riscos, a devida diligência do cliente, o monitoramento transacional e a obrigação de reportar operações suspeitas à Unidade de Inteligência Financeira (UIF-Peru). Também incorpora exigências de governança corporativa de compliance, como a designação de um oficial de compliance, a capacitação contínua do pessoal, auditorias internas e a documentação de políticas e procedimentos. O enfoque é de natureza baseada em riscos, o que obriga os operadores a segmentar seus clientes, revisar perfis e determinar limiares de alerta conforme sua exposição, comportamentos e meios de pagamento utilizados. De forma complementar, a SBS promove a interoperabilidade com outros reguladores e atores do ecossistema — incluindo provedores de serviços de pagamento e entidades financeiras — para assegurar rastreabilidade e uma gestão integral dos riscos LA/FT.

A SBS é a autoridade supervisora do sistema financeiro peruano e a entidade competente na luta contra a lavagem de ativos por meio da UIF-Peru, que funciona sob sua esfera institucional. No segmento de jogos online, o esquema regulatório do país reconhece uma divisão de competências: enquanto o Ministério de Comércio Exterior e Turismo (MINCETUR) administra licenças e aspectos técnicos do jogo à distância, a SBS lidera a padronização dos controles LA/FT para os sujeitos obrigados. Nos últimos anos, o Peru consolidou uma estrutura regulatória para jogos e apostas esportivas à distância, com ajustes normativos sucessivos destinados a fechar lacunas de supervisão e fortalecer a canalização para a oferta formal. Nesse contexto, a aprovação de um marco específico da SBS responde à necessidade de dotar o segmento online de diretrizes claras e verificáveis de compliance, complementares às licenças e controles operacionais da autoridade setorial.

A medida peruana se insere em uma tendência regional e internacional de elevar os limiares de conformidade para o iGaming e as apostas esportivas. Países como Colômbia, por meio da Coljuegos em coordenação com autoridades antilavagem, e Espanha, através da DGOJ e SEPBLAC, estabeleceram obrigações robustas que integram monitoramento de risco, controles a PEPs e relatórios de operações incomuns, alinhadas com as 40 Recomendações do GAFI. Em mercados consolidados como o Reino Unido, o regulador de jogos exige que os operadores apliquem controles equivalentes sob as Money Laundering Regulations, com obrigações reforçadas de verificação de identidade e origem dos fundos. Para o Peru, convergir para esses padrões é chave diante de avaliações do GAFI/GAFILAT e para preservar a integridade do sistema financeiro frente a ameaças emergentes vinculadas a pagamentos digitais, carteiras eletrônicas e redes transfronteiriças.

Em termos operacionais, os operadores de apostas online deverão investir em tecnologia de monitoramento, soluções de verificação de identidade, triagem de listas e análise de dados para cumprir com os requisitos da SBS. O fortalecimento do compliance pode modificar a relação com agregadores de pagamentos e bancos, ao demandar maiores níveis de rastreabilidade e controles de origem dos fundos em depósitos e retiradas. Para o mercado, a implementação dessas regras pode impulsionar a canalização para operadores licenciados, melhorar a percepção de segurança do consumidor e reduzir riscos reputacionais em toda a cadeia de valor, incluindo afiliados e fornecedores. Ademais, o esquema estabelece bases para ações de supervisão e sanção diante de descumprimentos, criando incentivos para a formalidade e desincentivando a oferta não autorizada que compete em condições desiguais e carece de controles equivalentes.

De olho no futuro, espera-se que a SBS complemente este marco com guias técnicas, critérios de materialidade e cronogramas de implementação que permitam uma adoção escalonada e consistente em toda a indústria. É previsível que sejam promovidas mesas de trabalho com operadores, PSPs e entidades financeiras para harmonizar dados, indicadores de risco e padrões de interoperabilidade, assim como programas de capacitação setoriais. À medida que avance a supervisão, poderão ser emitidos ajustes normativos para atender tipologias emergentes — por exemplo, apostas ao vivo, microapostas e novos instrumentos de pagamento — e reforçar a cooperação internacional em inteligência financeira. Em síntese, a aprovação do marco normativo em matéria de lavagem de ativos para operadores de apostas online marca um passo decisivo para a maturação do iGaming no Peru, com um enfoque integral de compliance que busca proteger o consumidor, assegurar a integridade das transações e elevar a competitividade do mercado formal.

Etiquetas: Perú, SBS, lavagem de dinheiro, regulamentação de apostas online no Perú