APOJA alerta: jogo ilegal e ludopatia crescem no Paraguai

APOJA alerta: jogo ilegal e ludopatia crescem no Paraguai

A Associação Paraguaia de Operadores de Jogos de Azar (APOJA) manifestou profunda preocupação diante do avanço das plataformas de apostas ilegais no Paraguai e do crescente acesso de menores de idade a esses sites. Segundo a presidente da entidade, Lorena Rojas, o problema supera até mesmo o das máquinas caça-níqueis clandestinas que operam nas ruas, devido à facilidade com que crianças e adolescentes podem acessar sites e aplicativos de apostas sem qualquer tipo de filtro de identificação. Rojas explicou que essas plataformas ilegais carecem de sistemas de autoexclusão e não oferecem garantias de pagamento de prêmios, o que agrava a situação. “Nos sites ilegais não há nenhum controle. A isso se somam as múltiplas formas de pagamento, como transferências de carteiras de companhias telefônicas, cartões de crédito ou débito ou até mesmo o saldo do celular. Tudo isso gera uma situação preocupante dentro do ambiente familiar”, declarou Rojas ao meio El Tribuno.

A presidente da APOJA também comparou o modelo de negócios das máquinas caça-níqueis físicas com o das plataformas de jogo online, apontando que em ambos os casos existem operadores que adquirem o produto para explorá-lo diretamente e outros que o alugam a terceiros. No entanto, advertiu que alguns fornecedores de serviços — sejam plataformas, conteúdos, jogos ou gateways de pagamento — comercializam seus produtos sem distinguir se a empresa que os adquire possui licença ou é um operador não autorizado.

No Paraguai, a autorização da Comissão Nacional de Jogos de Azar (Conajzar) tem alcance nacional e proíbe que sejam feitas apostas de jogadores que se encontrem no exterior. Porém, Rojas advertiu que quando um fornecedor presta serviços sem verificar a licença do operador, a plataforma pode receber apostas tanto de usuários dentro do país quanto do exterior. “E se uma jurisdição como Malta concede permissões globais, ainda assim deveria respeitar as leis de cada país. Mas na prática, tudo é tão aberto e sem controle que aí reside um dos maiores perigos, sobretudo para os menores de idade”, detalhou Rojas.

A falta de controle não só coloca em risco os usuários, especialmente os menores, como também impacta negativamente na arrecadação do Estado, já que as plataformas ilegais não pagam impostos. Diante desse cenário e considerando que no Paraguai não existe nenhuma ferramenta de identificação confiável, Rojas propôs a implementação do domínio “.bet.py” nos endereços web oficiais dos operadores legais.

Segundo a representante da APOJA, essa medida ajudaria a combater o jogo online clandestino, promover a educação em jogo responsável e permitir aos usuários diferenciar claramente entre plataformas legais e ilegais.

Etiquetas: Paraguai, APOIA, apostas, regulação, Conajzar