Paraguai endurece combate ao jogo clandestino em Amambay
A Comissão Nacional de Jogos de Azar (Conajzar) voltou às ruas. O órgão, dependente da Direção Nacional de Receitas Tributárias (DNIT), impulsionou uma série de batidas no departamento de Amambay, no norte paraguaio, como parte de sua ofensiva contra as apostas clandestinas e os jogos de azar que operam à margem do sistema legal. É uma das primeiras intervenções de grande porte desde que entrou em vigor o novo esquema de articulação institucional criado pela Lei N.º 7438/25.
Os procedimentos foram executados pela Direção contra Atos Puníveis Econômicos e Financeiros da Polícia Nacional do Paraguai, em coordenação com o Ministério Público, a partir de denúncias sobre supostas operações clandestinas vinculadas a apostas esportivas e exploração ilegal de jogos de azar. Após as verificações preliminares, a Conajzar confirmou que os locais intervencionados não contavam com autorização nem com a licença correspondente e apresentavam distintas irregularidades administrativas.
Durante as batidas, as autoridades identificaram estruturas montadas para operar fora do controle estatal. Foram apreendidas evidências digitais, equipamentos informáticos, dispositivos celulares e veículos, todos colocados à disposição da Justiça para o avanço das investigações. A operação marca uma mudança de ritmo em relação aos esquemas tradicionais do país, onde a fiscalização do jogo ilegal havia sido criticada pela falta de coordenação entre forças e repartições.
A Lei N.º 7438/25 e sua regulamentação foram pensadas justamente para resolver esse gargalo. A nova normativa fortalece a articulação entre os órgãos do Estado, formaliza os mecanismos de denúncia e otimiza os procedimentos de controle. A Conajzar busca apoiar-se nesse marco para ampliar o alcance das operações, sair do enfoque defensivo e avançar sobre redes mais complexas que combinam apostas esportivas, máquinas e jogos eletrônicos em distintas zonas do país.
“O combate ao jogo ilegal representa uma prioridade para a DNIT e a Conajzar, não só pelo seu impacto sobre a arrecadação e a economia formal, mas também pelos possíveis vínculos dessas atividades com atos puníveis como a lavagem de ativos e o crime organizado”, explicaram da própria Comissão. A mensagem reforça a leitura política da operação: a fiscalização do jogo não é pensada apenas em termos tributários, mas também como uma peça do esquema antilavagem e de controle do financiamento de atividades ilícitas.
Para a região, a movimentação paraguaia se insere em uma onda de operações que vem se reforçando na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru. A maioria dos reguladores latino-americanos vem articulando com polícias, ministérios públicos e autoridades tributárias para reduzir a oferta clandestina, em um mercado onde os fluxos digitais facilitam a mobilidade do dinheiro e o rebote de marcas. Amambay, uma zona quente por sua fronteira com o Brasil, volta a ficar no radar de um negócio que se redesenha em chave regional.
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