Montevidéu: Cassino Parque Hotel vai para Ministério da Economia

Montevidéu: Cassino Parque Hotel vai para Ministério da Economia

O prefeito Mario Bergara confirmou a iminente transferência da histórica sala para a Direção Geral de Cassinos. A medida busca estancar a sangria financeira do município, que perdeu mais de 2 milhões de dólares apenas no último exercício operando o complexo.

A Intendência de Montevidéu decidiu cortar o mal pela raiz e pôr fim ao seu papel como operadora de jogos de azar. O prefeito Mario Bergara confirmou à imprensa local que a gestão do emblemático Casino Parque Hotel será transferida para o Ministério da Economia e Finanças (MEF) antes do final de 2026.

A decisão, descrita pelo funcionário como "tomada e dialogada", responde a uma lógica dupla: por um lado, a reestruturação estratégica das funções municipais, e por outro, a urgência de cobrir um buraco fiscal que há uma década drena recursos dos contribuintes. "O processo está avançado. Eu aspiro que o cassino passe para a órbita da Direção de Cassinos em um prazo relativamente curto, este ano", sentenciou Bergara.

Um "buraco negro" fiscal de uma década

Os números por trás da operação municipal são vermelhos e profundos. Segundo os dados revelados pela própria prefeitura, o Casino Parque Hotel encerrou o exercício de 2023 com perdas próximas a UYU 90 milhões (mais de USD 2 milhões).

No entanto, a imagem completa é ainda mais preocupante. Nos últimos dez anos, o saldo negativo acumulado ascende a UYU 800 milhões (cerca de USD 20 milhões). Essa realidade financeira tornou insustentável o argumento de manter a sala sob a administração da cidade, cujos recursos deveriam ser destinados a obras e serviços públicos, e não a subsidiar perdas do jogo.

O Estado como operador natural

Bergara foi categórico quanto ao papel que cada esfera governamental deve ocupar: "Já havíamos dito que não faz sentido a prefeitura gerir um cassino. O razoável é que o faça o âmbito do Estado, que é o encarregado de ter políticas de jogo".

Com essa transferência, a sala passará a estar sob o guarda-chuva da Direção Geral de Cassinos (DGC), o organismo dependente do Ministério da Economia que conta com o know-how técnico e a capacidade comercial para tentar reverter os números do Parque Hotel, seja mediante gestão direta ou sob o "sistema misto" (associação com privados) que tem funcionado com sucesso em outros pontos do país.

A confirmação do prefeito ratifica o que foi adiantado dias atrás por Camilo Benítez, diretor de Desenvolvimento Econômico da prefeitura, selando assim o destino de uma das salas mais tradicionais da capital uruguaia, que agora buscará uma segunda oportunidade sob nova gerência.

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