Latam iGaming 2025: de promessa a motor global de crescimento

Latam iGaming 2025: de promessa a motor global de crescimento

Durante anos, a América Latina foi apresentada como “o próximo grande mercado” do iGaming. Em 2025, essa etiqueta já ficou para trás. Os dados mostram uma região que não apenas cresce, mas que começa a marcar o ritmo da indústria a nível global.

A partir da análise conjunta da Growe Partners e Blask, combinando métricas de tráfego, monetização e comportamento dos usuários, emerge uma leitura clara: a LatAm já não está alcançando os mercados maduros, está redefinindo como se constrói o crescimento.

Atividade em alta e mercados que se reorganizam

No primeiro semestre de 2025, os cinco mercados-chave Brasil, México, Argentina, Chile e Colômbia mostraram dinâmicas muito distintas, mas com um denominador comum: um salto estrutural no engajamento.

O Blask Index, indicador que traduz sinais agregados de interesse de busca em níveis de atividade de mercado, cresceu mais de 20 por cento ano a ano na região. México e Chile lideraram essa expansão, com aumentos de 49 e 34 por cento respectivamente. Argentina avançou 21 por cento, enquanto o Brasil, já em uma fase de consolidação após a regulamentação, cresceu 14 por cento até alcançar 1,18 bilhões de pontos.

A Colômbia foi a exceção conjuntural. Após um 2024 muito forte, o índice recuou 20 por cento, um ajuste que responde mais a saturação de curto prazo do que a uma perda estrutural da demanda.

Por trás desses movimentos há uma base digital difícil de ignorar: mais de 450 milhões de usuários de internet, penetração móvel superior a 80 por cento, urbanização média de 85 por cento, alfabetização próxima a 95 por cento e uma idade média entre 32 e 35 anos. Ou seja, o ponto exato onde adoção tecnológica e afinidade com o gaming se cruzam.

O pulso da receita e o papel dos afiliados

O crescimento na atividade refletiu-se diretamente no potencial de receitas. Em termos de Competitive Earning Baseline (CEB), o Brasil continua sendo a âncora do valor regional, com uma média de US$2,95 bilhões no primeiro semestre de 2025. Seguem México com US$587 milhões, Chile com US$462 milhões, Colômbia com US$242 milhões e Argentina com US$172 milhões.

Juntos, esses cinco mercados geraram um CEB médio estimado de US$4,4 bilhões no semestre, 22 por cento a mais que no ano anterior. No extremo superior da faixa, o Brasil chegou a picos próximos a US$5,2 bilhões, confirmando seu peso dominante, embora México e Chile estejam fechando a lacuna em maior velocidade.

A aquisição também mostrou eficiência. O APS (Acquisition Power Score) médio ficou em 1,49 milhões de novos usuários no México, 2,48 milhões na Argentina e 2,51 milhões na Colômbia, evidenciando que os afiliados estão escalando sem sacrificar a qualidade.

Um dado chave é o avanço das marcas locais. O Brasil já conta com 136 operadores licenciados de um total de 501 ativos, enquanto no México a participação offshore caiu para apenas 8 por cento, sinal de um ecossistema que começa a favorecer a formalização.

Por que este momento é chave

“Crescimento explosivo, paixão cultural pelo esporte e pelo jogo, e ainda submonetizado. É cedo, mas não por muito tempo”, resume Dmitriy Belianin, cofundador da Blask.

O fator decisivo já não é a visibilidade, mas a confiança. Na LatAm, os jogadores lembram quem paga rápido e quem comunica com clareza. O ruído publicitário perde peso frente à experiência real.

Da Growe Partners, a leitura vai na mesma linha. “Na LatAm o crescimento não é questão de velocidade, mas de precisão. Ajustar funis, entender o comportamento real e otimizar cada passo da jornada é o que gera resultados sustentáveis”, explica Dima, Head da Growe Partners.

Cinco mercados, cinco lógicas distintas

Brasil continua sendo o motor econômico. Com regulamentação em andamento e um mercado mais estável, os afiliados migram de CPAs curtos para modelos RevShare e híbridos. Betano e bet365 lideram o Brand Accumulated Power (BAP), refletindo uma construção de marca sustentada e multicanal.

México é o mercado de maior aceleração. Seu Blask Index cresceu 49 por cento e o CEB subiu 45 por cento ano a ano. O tráfego móvel e as criatividades em espanhol local são determinantes. Caliente domina com cerca de 30 por cento do BAP, mas marcas internacionais que localizam bem, como Betano, ganham terreno.

Argentina combina volatilidade macroeconômica com alta criatividade. O mercado cresceu 21 por cento, mas mantém o maior peso offshore da região, próximo a 40 por cento. O foco do jogador se inclina mais para cassino e híbridos do que para esportes puros.

Chile mostra alto potencial apesar da indefinição regulatória. O índice subiu 34 por cento e o CEB médio alcançou US$462 milhões. Betano concentra mais de 55 por cento do BAP, embora a futura licença online possa redistribuir a confiança do usuário.

Colômbia, pioneira em regulamentação, atravessa uma pausa após anos de expansão. Embora o índice tenha caído, a linha de base de receitas se mantém sólida. Com apenas 2 por cento de offshore, o país continua sendo referência em compliance.

Afiliados, tráfego e conversão

SEO e social continuam sendo pilares, mas o paid media ganha peso rapidamente. TikTok dobrou sua participação desde 2024, impulsionado por formatos curtos e locais. Meta e UAC funcionam melhor para híbridos cassino-esportes.

As taxas regionais mostram clique para registro entre 25 e 35 por cento, e registro para FTD entre 15 e 25 por cento. México e Brasil destacam-se pela estabilidade, enquanto Chile e Colômbia aportam menos volume, mas melhor qualidade.

Móvel domina: mais de 80 por cento dos registros e depósitos são feitos a partir de smartphones. UX leve, múltiplos métodos de pagamento e onboarding sem atrito são chaves. A linguagem também importa: spanglish no México, gíria local no Brasil, clareza em todos os mercados.

O jogador latino-americano hoje

O núcleo está entre 18 e 34 anos. Jogam por dinheiro, emoção e comodidade. A confiança pesa mais que o bônus. A maioria não se percebe como jogador problemático e a consciência sobre jogo responsável cresce.

Redes sociais são o primeiro ponto de contato para até 60 por cento dos usuários, seguidas por Google e YouTube. Os apps já concentram 60 por cento dos depósitos.

Tensões, riscos e o que vem

A maturidade traz desafios. A fadiga criativa já se nota, com quedas de CTR de até 15 por cento no Brasil e México. As equipes que rotacionam rápido, localizam profundamente e usam automação baseada em IA mantêm vantagem.

A fraude evolui. Menos golpes massivos, mais abuso sofisticado. A Colômbia marca o padrão em controle, demonstrando que compliance e rentabilidade não são opostos.

As oportunidades emergem fora do radar tradicional: Peru, Equador, América Central, Telegram, YouTube local, WhatsApp. Menos competição, melhores margens.

O próximo capítulo

A LatAm já não é emergente. É um mercado em execução.

O Brasil aporta escala, México e Chile aceleração, Argentina criatividade e Colômbia estrutura. O equilíbrio entre energia e ordem está apenas começando a se consolidar.

De olho no restante de 2025, três forças definirão o jogo: regulamentação progressiva, marketing assistido por IA e, sobretudo, confiança. Quem entender isso, não só crescerá, ficará.

“Localizar não é traduzir. É adaptar ofertas, pagamentos e narrativa. O usuário latino-americano sente quando algo é real”, conclui Belianin.

O crescimento já aconteceu. Agora, o desafio é sustentá-lo.

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