30% dos brasileiros apostam online: renda e política influem
Uma nova pesquisa da consultoria Genial/Quaest quantificou a realidade do iGaming no gigante sul-americano, revelando que 29% dos cidadãos maiores de 16 anos já fazem parte desse mercado. O estudo, que contou com uma amostra de 2.004 entrevistas realizadas durante a segunda semana de abril de 2026, mostra que a grande maioria da população, 71%, ainda se mantém à margem dessas plataformas digitais. Com uma margem de erro de dois por cento e um nível de confiança de 95 por cento, esses dados oferecem um raio-x preciso sobre como as apostas se integraram na vida cotidiana dos brasileiros, evidenciando lacunas significativas de acordo com o perfil de cada usuário.
Ao analisar os dados por gênero, observa-se que a participação masculina é consideravelmente maior, atingindo 33%, enquanto entre as mulheres o número cai para 21%. Curiosamente, o estudo derruba o mito de que é uma atividade exclusiva dos mais jovens, já que tanto o grupo de 35 a 59 anos quanto os maiores de 60 registram uma participação de 30%, superando ligeiramente os 27% observados entre aqueles que têm de 16 a 34 anos. Em termos geográficos, a adoção é mais intensa na região sul do país, onde chega a 37%, seguida pelo sudeste com 29% e o nordeste com a menor taxa de 25%.
O perfil socioeconômico e o peso da educação no jogo
O nível de renda se posiciona como um fator determinante, concentrando o maior volume de apostadores nos setores de renda média. Aqueles que recebem entre dois e cinco salários mínimos lideram a estatística com 32%, superando tanto os segmentos de maiores rendas (26%) quanto os de menor capacidade econômica, que registram 24% de participação. Esse dado sugere que a classe média brasileira vê nas plataformas digitais uma opção de entretenimento ou investimento mais frequente que outros estratos sociais.
Da mesma forma, o nível educacional influencia diretamente o comportamento dos usuários. Indivíduos com ensino médio completo apresentam a maior taxa de participação com 31%, seguidos por aqueles com formação superior (28%) e, finalmente, aqueles que possuem apenas ensino fundamental (24%). Esses números refletem uma correlação entre o acesso à tecnologia e o nível de instrução na hora de adotar novas modalidades de jogo online.
Crenças e afinidades políticas como indicadores de comportamento
A pesquisa também lança luz sobre as diferenças segundo as crenças religiosas e as inclinações ideológicas dos entrevistados. Enquanto 34% dos católicos afirmam apostar em plataformas esportivas, a porcentagem entre os evangélicos cai notavelmente para 23%. Essa disparidade pode estar vinculada às posturas institucionais das diferentes igrejas frente aos jogos de azar, o que impacta diretamente nos hábitos de seus fiéis.
Por outro lado, no plano político, os resultados mostram um cruzamento interessante entre a ideologia e o hábito de jogo. Os seguidores que se identificam com Jair Bolsonaro registram o nível mais alto de participação com 33%, seguidos de perto pelos cidadãos independentes com 31%. Enquanto isso, os simpatizantes de Luiz Inácio Lula da Silva apresentam uma taxa de 26%, enquanto outros segmentos políticos se situam em níveis semelhantes de entre 25% e 27%. Esses dados sugerem que o perfil do apostador brasileiro atual tem nuances culturais e políticas que vão além do simples interesse esportivo.
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