Brasil avança para uma reforma profunda do sistema lotérico

Brasil avança para uma reforma profunda do sistema lotérico

O Brasil analisa mudanças profundas em seu modelo lotérico. O deputado federal Fausto Pinato apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5.931/2025, uma proposta que moderniza o regime dos pontos de venda físicos, redefine a distribuição de receitas e busca equilibrar a operação entre canais presenciais e digitais, em um mercado cada vez mais impactado pelos jogos online e pelo uso massivo do Pix.

Uma remodelação estrutural da permissão lotérica

O PL 5.931/2025 reformula as Leis 12.869/2013 e 13.177/2015, ampliando o alcance da permissão para operar loterias. A partir desta proposta, qualquer concessionário, pessoa física ou jurídica, deverá estar habilitado para comercializar todas as modalidades federais, tanto em formato presencial quanto digital, e ainda prestar os serviços delegados pela Caixa Econômica Federal (CEF).

O texto insiste que a atividade deve garantir:

Novo esquema de receitas e repartição operacional

Um dos temas centrais do projeto é o redesenho de como se distribui o dinheiro proveniente da venda de loterias, especialmente as comercializadas pela internet, um segmento que cresceu aceleradamente nos últimos anos.

O PL determina que os concessionários receberão pelo menos 50% do montante destinado ao custo e manutenção logística. Essa porcentagem será dividida em duas partes:

Além disso, o projeto estabelece uma nova repartição do custo operacional geral:

Esse 1% também seria dividido equitativamente entre Caixa e os concessionários, e Pinato propõe conceder à rede representação na gestão do FDL, vigente desde 1981.

Os custos financeiros derivados de pagamentos eletrônicos, como comissões por cartões ou liquidadores digitais, seriam compartilhados de maneira igualitária entre Caixa e a rede de loterias.

Concessões ampliadas: 25 anos mais 25

Uma das mudanças mais significativas é a ampliação do prazo das concessões. De acordo com a versão final do projeto, as permissões terão vigência de 25 anos, com renovação automática por outros 25 anos, salvo descumprimento contratual. A ideia é oferecer previsibilidade e segurança jurídica para fomentar investimentos na rede física.

Regras iguais para os canais físico e digital

O texto também reforça a necessidade de que qualquer nova regulamentação da Caixa seja aplicada de forma simultânea a ambos os canais. Isso evitaria que produtos lotéricos sejam lançados exclusivamente na internet, deixando os pontos de venda presenciais em desvantagem competitiva.

Além disso, o PL autoriza as loterias a prestar serviços acessórios para entidades públicas ou privadas, ampliando seu papel comunitário e financeiro.

O impacto do Pix e do jogo online: a razão por trás da reforma

Na justificativa do projeto, Pinato aponta que a massificação do Pix reduziu drasticamente o fluxo presencial de clientes, gerando um “severo desequilíbrio econômico-financeiro” para as agências físicas. O crescimento dos jogos online, afirma, aprofundou ainda mais essa lacuna.

“Os pontos de venda de loteria não são apenas comércios; são estruturas sociais e econômicas de apoio comunitário”, explicou o deputado.

“Atualizar a legislação é indispensável para garantir sua sobrevivência e assegurar uma remuneração justa em um mercado dominado pela digitalização”.

Próximos passos

O Projeto de Lei 5.931/2025 será debatido nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados. Após essa análise técnica e política, poderá avançar para o Plenário para sua eventual votação.

Etiquetas: Brasil, loterias Brasil, Lei 5.931/2025