Brasil adiciona IC360 para detectar apostas suspeitas
Um atleta, um treinador ou um árbitro brasileiro que tente fazer uma aposta em uma plataforma online vai se deparar com uma barreira técnica. Essa é a função do ProhiBet, a ferramenta que o Ministério do Esporte (MEsp) incorporou ao assinar um Acordo de Cooperação Técnica com a Integrity Compliance 360 (IC360), a empresa de monitoramento esportivo que a desenvolveu.
O anúncio foi feito na quarta-feira, dia 16, e o vínculo se estende por dois anos. Seu objetivo declarado é ampliar o arsenal tecnológico com o qual o Estado brasileiro tenta antecipar a manipulação de resultados em competições no país.
O acordo tem três pilares. O primeiro é preventivo e passa justamente por essa lista de pessoas impedidas de apostar, que inclui atletas, comissões técnicas, árbitros e outros profissionais do esporte. Para que o bloqueio funcione, o convênio permite o monitoramento do mercado com identificadores tokenizados e integrações via API, de modo a cruzar quem está registrado nas casas de apostas com quem consta no ProhiBet, sem expor dados pessoais no processo.
O segundo é de vigilância do mercado. O ministério adiciona o uso da plataforma de Monitoramento de Integridade oferecida pela empresa, encarregada de acompanhar o comportamento de odds, linhas e mercados e de disparar avisos automáticos quando algo se move fora do previsível. Cada caso que surgir por esse canal será encaminhado ao MEsp, que decidirá o que fazer com ele.
O terceiro é formativo e de inteligência. O acordo inclui a capacitação de pessoal do ministério e compromete a empresa a entregar relatórios trimestrais sobre como o combate à manipulação de resultados evolui em nível internacional.
O Brasil chega a este convênio após vários episódios de manipulação de resultados que chegaram à justiça esportiva e penal nos últimos anos, e com um marco legal que proíbe apostar a quem participa diretamente das competições. O Ministério do Esporte vem ocupando um papel crescente na agenda de integridade esportiva, em paralelo ao trabalho da Secretaria de Prêmios e Apostas, que é o órgão que licencia e fiscaliza os operadores de apostas de quota fixa.
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