Brasileirão na KICK: streaming da Série A para 17 países em 2026
Em um acordo estratégico com a 1190 Sports, a liga brasileira aposta no formato "Watch Party" com influenciadores para captar o público jovem. KICK, conhecida por sua ligação com o setor de iGaming e seu modelo de receita favorável aos criadores, transmitirá 76 partidas por temporada.
O futebol brasileiro continua sua expansão digital agressiva e desta vez o faz ao lado de um dos players mais disruptivos do mercado de streaming. A plataforma KICK fechou um acordo com a 1190 Sports para transmitir o Campeonato Brasileiro Série A em 17 países da América Latina a partir da temporada 2026. O contrato exclui apenas Brasil e Equador, territórios que mantêm seus próprios acordos de direitos.
Esta aliança marca uma mudança de paradigma na distribuição de conteúdos esportivos na região. Em vez da transmissão tradicional, o Brasileirão se apoiará no formato de co-streaming ou narração colaborativa. A KICK transmitirá 76 partidas ao vivo (duas por rodada) que serão narradas e comentadas por figuras populares do ambiente digital como La Cobraaa, Teodeliaa, Benitosdr e Agusneta.
O fator KICK: Streaming e cultura de apostas
Para os operadores da indústria, a escolha da KICK não é um detalhe menor. A plataforma ganhou terreno rapidamente frente a concorrentes como Twitch graças às suas políticas mais flexíveis em relação ao conteúdo de jogos de azar e ao seu modelo de divisão de receita 95/5 a favor do criador. Fundada com o respaldo dos proprietários da Stake.com, a KICK se posicionou como um espaço natural para a interseção entre o entretenimento esportivo e a cultura do betting.
Este acordo permite à liga brasileira acessar uma demografia específica: a Geração Z, um segmento que consome esporte de maneira fragmentada, interativa e frequentemente através de dispositivos móveis. Segundo Ethan Wright, diretor da KICK, a proposta busca que o espectador deixe de ser um sujeito passivo para se tornar um participante ativo da experiência junto aos seus streamers favoritos.
Internacionalização e novos hábitos de consumo
Hernán Donnari, CEO da 1190 Sports (a empresa gestora dos direitos internacionais do Brasileirão), explicou que a estratégia responde à fragmentação das audiências. O objetivo é adaptar o produto a diferentes linguagens para ampliar o alcance digital do torneio mais valioso do continente, cujos direitos de transmissão global cresceram exponencialmente nos últimos cinco anos graças à venda centralizada.
Com essa jogada, o Brasileirão não busca apenas visibilidade, mas "engajamento". Ao utilizar influenciadores que já possuem comunidades fidelizadas em países como Argentina, Colômbia ou Chile, a liga brasileira tenta romper as barreiras nacionais e se consolidar como um produto de consumo regional, aproveitando uma plataforma tecnologicamente preparada para a interação em tempo real.
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