Caixa: novas medidas anti-golpes com PIX em loterias
Após uma reunião estratégica com a ABRASLOT, o banco apresentou um plano de ação para mitigar os riscos do Mecanismo Especial de Devolução (MED). As medidas incluem a identificação obrigatória do usuário e a redução da validade do QR Code, buscando proteger os lotéricos de fraudes sistemáticas.
A Caixa Econômica Federal (CEF) respondeu às crescentes denúncias de fraude que afetam as casas lotéricas brasileiras. Em um encontro com a ABRASLOT (Associação Brasileira de Loterias), a entidade detalhou um conjunto de medidas de segurança para blindar as operações realizadas via PIX, um sistema que já representa mais da metade das transações nesses estabelecimentos.
O foco da discussão foi o MED (Mecanismo Especial de Devolução), uma ferramenta do Banco Central projetada para recuperar fundos em casos de fraude, mas que está sendo utilizada por criminosos para solicitar estornos indevidos após realizar depósitos ou saques legítimos.
As 5 medidas chave de segurança
Para reduzir a exposição ao risco dos agentes lotéricos, a Caixa implementará as seguintes mudanças técnicas:
- Identificação do usuário: A partir de 23 de fevereiro, será obrigatório identificar o usuário que realiza o PIX.
- Validação de identidade: Até 31 de março, a finalização da transação estará condicionada a que o pagador seja o mesmo usuário identificado no sistema.
- QR Code com tempo limite: A validade dos códigos QR será reduzida para apenas 10 minutos.
- Suspensão de serviços: A partir de 16 de março, serão suspensas as modalidades de Pix Saque e Pix Troco na rede lotérica.
- Fluxo de defesa especializado: Criação de um canal de defesa com funcionários especialistas no processo lotérico para analisar contestações.
Luzes e sombras: A análise do setor
Embora a identificação do usuário seja vista como um passo positivo e efetivo para garantir que apenas o titular da conta opere, a suspensão do Pix Saque e Pix Troco é considerada um ponto negativo, já que penaliza tanto os lotéricos quanto a população que utiliza esses serviços de conveniência.
Além disso, persiste a preocupação com o risco financeiro imediato. Sob as regras atuais, quando um cliente inicia uma queixa via MED, o valor é debitado preventivamente da conta do lotérico. Isso obriga o empresário a cobrir o montante com seu próprio capital enquanto dura a investigação, que pode se estender por sete dias.
Como funciona o golpe da devolução
O esquema denunciado pelos empresários segue um padrão claro: os golpistas vão à lotérica, realizam um depósito ou saque de valores significativos (como R$ 1.000 ou R$ 2.000) e, posteriormente, solicitam o estorno ao seu banco alegando um erro ou fraude. Este problema também afeta o setor de apostas, onde alguns apostadores que não são premiados tentam recuperar seu dinheiro mediante a contestação indevida da transação.
Apesar dos avanços, a ABRASLOT advertiu que as soluções atuais poderiam ser insuficientes para resolver o problema de forma definitiva, mantendo a rede exposta a prejuízos financeiros imprevistos. A associação continuará o diálogo com a Caixa para assegurar a sustentabilidade econômica das unidades lotéricas.
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