Coaf: + operações suspeitas em apostas no Brasil

Coaf: + operações suspeitas em apostas no Brasil

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Brasil acendeu o alerta após publicar um balanço que revela um aumento sem precedentes nos alertas de movimentações financeiras irregulares dentro do setor de apostas online. Durante o ano de 2025, o órgão registrou mais de 27.600 comunicações de operações suspeitas, um número que contrasta drasticamente com os 928 incidentes reportados em 2024.

Este salto exponencial é atribuído diretamente à implementação da nova regulamentação que começou a vigorar em 1º de janeiro de 2025, a qual obriga as empresas do setor e as instituições de pagamento a informar de maneira estrita qualquer padrão de conduta que possa estar vinculado à lavagem de dinheiro ou atividades ilícitas.

Para fortalecer a rede de vigilância, o Coaf iniciou uma série de formações técnicas direcionadas a bancos e plataformas de pagamento, com o objetivo de capacitá-los na detecção precoce de irregularidades e no reconhecimento de padrões de fluxo de capitais que costumam ser utilizados pelos operadores clandestinos. A transparência que o mercado regulado proporciona permitiu que, pela primeira vez, o Estado tenha uma visão clara da magnitude das transações, embora o órgão advirta que ainda existe uma lacuna importante a ser preenchida no combate contra as plataformas que operam sem licença oficial.

O desafio do mercado ilegal e a confusão do usuário

Apesar dos avanços na fiscalização, as estimativas oficiais indicam que cerca de 40 por cento das apostas realizadas em território brasileiro continuam sendo canalizadas através de companhias não autorizadas. Esta situação gerou um debate intenso na indústria, onde diversos estudos, como o realizado pela Transamérica Media Company (TMC) e o Instituto Esfera, sugerem que os altos custos de conformidade e a carga tributária para os operadores legais poderiam estar alimentando de forma involuntária o crescimento do mercado clandestino.

O impacto econômico da clandestinidade é massivo, movimentando anualmente entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões. No entanto, o dado mais preocupante para a integridade do mercado é que 78 por cento dos apostadores manifesta dificuldades para distinguir se uma plataforma possui a licença oficial do Ministério da Fazenda ou se trata de um site irregular. Esta confusão não apenas enfraquece a arrecadação fiscal, mas expõe os cidadãos a ambientes onde não existem garantias de segurança financeira nem políticas de proteção ao consumidor.

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