Cofundadora da Kalshi: Brasil é o próximo mercado de previsão

Cofundadora da Kalshi: Brasil é o próximo mercado de previsão

Kalshi analisa uma possível expansão para o Brasil em 2026. Assim o confirmou sua cofundadora, Luana Lopes Lara, em uma entrevista concedida ao meio econômico Valor, onde destacou o interesse estratégico da companhia pelo mercado latino-americano.

Sediada em Nova York, Kalshi se tornou um dos atores mais disruptivos de 2025 ao popularizar contratos de previsão vinculados a eventos políticos, econômicos e esportivos. Seu rápido crescimento, no entanto, não esteve isento de controvérsia. Nos Estados Unidos, diversos reguladores estaduais questionam que a oferta de contratos esportivos funcione, na prática, como uma via indireta para burlar as normas tradicionais sobre apostas.

Apesar desse contexto, o modelo da Kalshi despertou o interesse de grandes operadores do betting norte-americano. Tanto DraftKings quanto FanDuel lançaram recentemente produtos de mercados de previsão, em ambos os casos mediante alianças com o CME Group, o que reforça a relevância crescente desse tipo de plataformas.

Quanto à sua expansão internacional, Lopes Lara, de origem brasileira, apontou que o Brasil ocupa um lugar prioritário nos planos da empresa. Após completar sua terceira rodada de financiamento este ano, que situou a avaliação da Kalshi em torno de US$ 11 bilhões, a companhia começou a delinear sua saída para o exterior.

Segundo explicou a executiva, o projeto ainda se encontra em uma etapa exploratória. Kalshi está analisando como adaptar seu modelo à realidade regulatória brasileira, com a expectativa de poder realizar um anúncio concreto no início de 2026.

O Brasil representa um cenário atraente, mas complexo. O país lançou seu mercado regulado de apostas online em 2025, embora atualmente não exista um marco específico para os mercados de previsão. Até o momento, nem a Secretaria de Prêmios e Apostas nem a Comissão de Valores brasileira se pronunciaram formalmente sobre esse tipo de produtos.

A experiência da Kalshi nos Estados Unidos sugere que o caminho não será simples. A plataforma enfrenta litígios em vários estados, incluindo Connecticut e Nevada, onde os reguladores sustentam que seus contratos constituem apostas esportivas ilegais. Kalshi, por sua vez, defende que opera como um mercado regulado a nível federal sob a supervisão da Commodity Futures Trading Commission (CFTC), e que não deveria ficar sujeita às leis estaduais de jogo.

No caso brasileiro, o desafio pode ser ainda maior. O regulador local intensificou os controles sobre a segurança financeira do setor e o governo avança com um aumento da carga tributária sobre os operadores de apostas. Nesse contexto, um produto que potencialmente fique fora do esquema fiscal e regulatório tradicional pode encontrar uma forte resistência institucional.

Ainda assim, o interesse da Kalshi pelo Brasil confirma que os mercados de previsão estão ganhando peso dentro do ecossistema global do jogo e das finanças. Se a companhia conseguir superar os obstáculos legais, seu desembarque pode abrir uma nova frente de debate regulatório em um dos mercados mais dinâmicos da região.

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