Estudo estima 62,5 bilhões transferidos para as apostas
As famílias brasileiras destinaram aos operadores de apostas de quota fixa, via Pix, cerca de 62,5 bilhões de reais a mais do que receberam de volta em 2025, segundo uma estimativa da terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. Os resultados foram divulgados inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo em 6 de agosto, e o estudo foi elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal, conhecido como Comsefaz, em colaboração com o Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento, com dados do Banco Central e das estatísticas de pagamentos por atividade econômica.
O montante corresponde à transferência líquida atribuível às casas de apostas, ou seja, a diferença entre os pagamentos realizados por pessoas físicas e os valores devolvidos pelas empresas, e equivale a cerca de 0,68% da renda nacional disponível bruta das famílias em 2025. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a transferência líquida mensal atribuível às plataformas foi calculada em uma média de 4,7 bilhões de reais, com base nos fluxos realizados via Pix e classificados pelo Banco Central como pertencentes ao setor de arte, cultura, esportes e recreação.
Para separar o crescimento vinculado às apostas de uma possível expansão geral do uso do Pix, os pesquisadores construíram um cenário contrafactual com um modelo estatístico de séries temporais, que projetou como teriam evoluído as transferências para o setor se não tivesse ocorrido a mudança observada a partir do segundo semestre de 2024. A diferença entre essa trajetória projetada e os valores efetivamente registrados foi considerada como o volume atribuível aos sites de apostas, com uma média mensal adicional estimada em 24,1 bilhões de reais entre outubro de 2024 e março de 2026 e um impacto acumulado de 350,97 bilhões se for considerado apenas 2025. O estudo precisou que as transações mensais do setor passaram de cerca de 5 bilhões para mais de 25 bilhões de reais em poucos meses, com um pico próximo a 42 bilhões em meados de 2025, e esclareceu que o método oferece uma estimativa da ordem de magnitude e não uma medição causal exata.
O relatório também apontou uma desaceleração das transações após a proibição de apostar para os beneficiários do Bolsa Família, o programa de transferência de renda, implementada em outubro de 2025, o que, em sua opinião, indica que esse grupo realizava uma quantidade significativa de apostas, com um efeito que poderia reduzir em até 20% a quantidade de usuários das operadoras. Em sua cobertura, a Folha de S.Paulo comparou a estimativa de 62,5 bilhões com os 36,9 bilhões de reais de receitas registradas pelo Ministério da Fazenda entre as operadoras autorizadas durante 2025, uma diferença de 25,6 bilhões que, segundo o jornal, equivale aproximadamente a 41% e coincide com um estudo da LCA encomendado pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, que havia estimado que o mercado ilegal representa entre 41% e 51% do total.
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