H2 calcula que até USD5.800m migrarão para o mercado ilegal

O dinheiro não desaparece, muda de balcão. A H2 Gambling Capital calcula que entre BRL20 bilhões (USD3,9 bilhões) e BRL30 bilhões (USD5,8 bilhões) passarão do mercado regulado brasileiro para operadores não licenciados após a medida provisória que o Governo assinou em 25 de setembro.
A conta parte de um ritmo conhecido. Pouco antes da proibição, o mercado regulado movimentava a um ritmo anualizado de cerca de BRL40 bilhões (USD7,72 bilhões). Desse volume, a consultoria estima que cerca de BRL25 bilhões (USD4,826 bilhões) continuarão sendo destinados a apostas, mas fora do sistema. Os outros BRL15 bilhões (USD2,895 bilhões) evaporam no curto prazo: há pessoas que simplesmente deixarão de jogar, e outras que diminuirão o ritmo.
Há uma suposição técnica por trás que convém explicitar. O cenário central da H2 assume que o mercado regulado fica fechado e não reabre, porque é o único resultado que hoje oferece segurança jurídica para modelar. Mas a própria consultoria esclarece que sua avaliação é outra: considera mais provável que o mercado reabra em algum momento de 2027, talvez incluindo apostas esportivas e iGaming, e não descarta uma reabertura limitada apenas ao setor esportivo.
O tamanho final do circuito ilegal depende de qual linha de base é usada, e aí os números se abrem. Se o mercado offshore representava cerca de 30% antes da proibição, passaria de cerca de BRL17 bilhões (USD3,3 bilhões) para BRL42 bilhões (USD8,1 bilhões). Se, por outro lado, for considerado 41%, cifra amplamente citada no Brasil, o salto iria de cerca de BRL28 bilhões (USD5,404 bilhões) para BRL53 bilhões (USD10,230 bilhões). A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) tem utilizado esse mesmo 41% como ponto de partida e projetou que a participação ilegal poderia subir para 82% do setor.
Para a H2, a discussão sobre o tamanho absoluto é secundária. O que importa é o movimento: esses BRL25 bilhões que são transferidos do ambiente regulado para plataformas não licenciadas.
A projeção baseia-se em uma pesquisa própria com 2.451 apostadores brasileiros de plataformas online, realizada em novembro de 2025. Os resultados explicam por que a mudança seria simples. 39% dos entrevistados continuavam acessando sites não licenciados, e esse grupo reunia cerca de 60% do que foi declarado como gasto. Um em cada quatro reais declarados já terminava em operadores não licenciados. Mais revelador ainda: metade do gasto declarado vinha de jogadores que nos seis meses anteriores haviam usado alguma plataforma sem verificação de identidade. Para essas pessoas, a proibição não é um obstáculo, porque as contas e os meios de pagamento em sites offshore já estão configurados.
O precedente internacional que a consultoria usa como base é holandês. Quando a Holanda aumentou os impostos sobre as apostas e impôs limites obrigatórios de depósito no final de 2024, cerca de metade do que o mercado regulado deixou de receber reapareceu no lado offshore. A H2 o considera como limite inferior porque o Brasil aplicou uma proibição completa, sem a opção intermediária de o apostador simplesmente gastar menos dentro do sistema legal.
Com essas suposições, a consultoria projeta um mercado offshore brasileiro de cerca de BRL42 bilhões (USD8,107 bilhões), considerando o ritmo de 2026 mais o crescimento adicional em 2027. Esse valor é quase idêntico aos BRL41 bilhões (USD7,914 bilhões) que circulavam por operadores não licenciados em 2024, antes da existência da regulamentação.
Mas o retorno ao ponto de partida é apenas aparente, e aí está a observação mais incômoda do relatório. Antes de 2025, boa parte desse dinheiro offshore ia para operadores internacionais que, sem estarem licenciados no Brasil, tinham estruturas de conformidade e proteção ao consumidor em outros mercados. Agora, com as empresas licenciadas fora do jogo, a H2 prevê que esse volume termine nas mãos de empresas que na época não conseguiram cumprir os requisitos para obter uma licença brasileira. O mercado volta ao mesmo tamanho, mas com piores jogadores dentro.
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