16 clubes da Primeira iniciam liga com patrocínio de apostas

16 clubes da Primeira iniciam liga com patrocínio de apostas

A realidade comercial impôs-se à judicial no início do torneio. Enquanto a Subtel admite que bloquear os sites é "ineficaz", a marca venezuelana Apuestas Royal irrompe com uma estratégia agressiva patrocinando 11 times por uma fração do que custam os gigantes.

O apito inicial da Primeira Divisão do Chile deixou uma imagem contundente que contradiz as decisões judiciais do final de 2025: 100% dos times (16 de 16) entraram em campo exibindo logotipos de operadores de apostas em suas camisas. Apesar de a Corte Suprema ter ordenado bloquear o acesso a essas plataformas, o futebol chileno reafirmou sua dependência econômica da indústria do iGaming.

O mercado de patrocínios sofreu uma reconfiguração com a entrada de um novo jogador: Apuestas Royal. Esta empresa, de origem venezuelana e licença em Curaçao, executou uma manobra de "varredura" na tabela média e baixa, assegurando presença em 11 clubes simultaneamente. Será o patrocinador principal de instituições como Audax Italiano, Huachipato e Unión La Calera, e secundário em outros como Everton e Palestino.

A estratégia "Low Cost": 11 times pelo preço de um terço do Colo-Colo

A lógica por trás do investimento da Apuestas Royal é puramente financeira. Em declarações ao meio local The Clinic, seu CEO, Andrés Galperín, revelou os números do negócio: enquanto patrocinar os dois colossos do país (Colo-Colo e Universidad de Chile, ambos hoje com JugaBet) custava mais de USD 10 milhões, sua empresa conseguiu captar 11 times por apenas USD 3 milhões.

Essa estratégia de volume garante visibilidade na maioria dos jogos televisionados sem pagar o prêmio dos grandes clubes. Sabe-se, por exemplo, que o Deportes Concepción receberá cerca de USD 170.000 anuais, uma quantia modesta para o padrão internacional, mas vital para a economia de um clube desse porte. O mapa se completa com 1xBet retendo a Universidad Católica, BC Game no O’Higgins e Pin Up no Coquimbo Unido.

O "Whac-A-Mole" digital: O governo admite que os bloqueios não funcionam

O pano de fundo desse despliegue publicitário é a batalha legal. Em novembro de 2025, o sindicato de telecomunicações (Chile Telcos) confirmou que provedores como Claro, Entel e Movistar haviam acatado a ordem suprema de bloquear os sites de apostas.

No entanto, a medida demonstrou ser um fracasso técnico. O subsecretário de Telecomunicações (Subtel), Claudio Araya, reconheceu publicamente a ineficácia da decisão. Em entrevista à Radio Cooperativa, o funcionário admitiu que é "relativamente fácil de burlar" a restrição, pois os operadores simplesmente migram para sites espelho (mirrors) ou mudam levemente sua URL.

"A possibilidade de criar combinações de nomes de domínio é praticamente infinita", explicou Araya, sugerindo que a Corte Suprema careceu de assessoria tecnológica adequada ao ditar uma sentença que, na prática, se tornou um jogo de gato e rato. Enquanto os juízes tentam colocar portas no campo digital, os gols do torneio chileno continuam sendo comemorados com uma casa de apostas no peito.

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