Jogo na Espanha recupera estabilidade, volta a níveis pré-Covid
A atividade do jogo na Espanha deixou para trás o impacto da pandemia e da crise econômica e voltou a mostrar padrões de consumo semelhantes aos registrados antes de 2020. Assim indica o relatório Jogo e Sociedade 2025, apresentado pelo Conselho Empresarial do Jogo (CEJUEGO), que confirma uma recuperação sustentada do setor e uma participação amplamente disseminada na população adulta.
O estudo, elaborado pelo sociólogo José Antonio Gómez Yáñez, estima que cerca de 31 milhões de pessoas entre 18 e 75 anos participaram em algum jogo de azar durante o último ano, o que representa 85 por cento da população adulta. O número se mantém em linha com os níveis históricos observados desde 2012, com exceção das quedas temporárias associadas à pandemia.
Um lazer transversal e socialmente integrado
Os dados refletem que o jogo continua sendo uma prática de lazer transversal, presente em diferentes estratos sociais e com menor incidência em lares com dificuldades econômicas. Além disso, a participação entre jovens de 18 a 25 anos é mais baixa do que em outros grupos etários, um dado que matiza o debate público sobre o impacto do jogo nos segmentos mais jovens.
O relatório ressalta que, em termos gerais, o jogo é concebido como uma atividade recreativa. Quase seis em cada dez jogadores assumem as perdas como o custo normal do entretenimento, sem expectativas de obter benefícios econômicos.
Loterias e raspadinhas, no centro do consumo
As loterias públicas continuam sendo o pilar do mercado espanhol. Praticamente todos os jogadores participaram em produtos da SELAE durante o ano, enquanto cerca de 12 milhões o fizeram em jogos da ONCE. A Loteria de Natal voltou a se destacar como o produto mais popular, com cerca de 27 milhões de participantes e vendas recordes que superaram os EUR3.500m.
Dentro do portfólio da ONCE, os cupons tradicionais mantêm sua liderança, embora o relatório destaque o forte avanço das loterias instantâneas ou raspadinhas, cuja participação cresceu mais de 80 por cento nos últimos cinco anos. Essa modalidade é especialmente atraente entre os menores de 25 anos, impulsionada por seu baixo custo e a imediaticidade do prêmio.
Jogo privado e canal online
No âmbito do jogo gerido por operadores privados, cassinos, bingos, salões, máquinas tipo B e apostas esportivas, participaram 6,6 milhões de pessoas de forma presencial. No canal online, o número situou-se em torno de dois milhões de jogadores anuais, com uma média mensal próxima a 950.000 usuários.
O crescimento do jogo online foi moderado e liderado pelas apostas esportivas. No entanto, o gasto médio semanal caiu para EUR13,6, o que reforça a ideia de um consumo contido e compatível com o lazer responsável.
Baixo nível de jogo problemático
Um dos principais achados do relatório é a estabilidade do jogo problemático na Espanha, que se mantém entre 0,2 e 0,25 por cento da população adulta, uma das taxas mais baixas da Europa. O transtorno de jogo diagnosticado afeta apenas 0,02 por cento e, na maioria dos casos, aparece vinculado a outras problemáticas de conduta.
Desde o CEJUEGO atribuem esses indicadores a um marco regulatório consolidado, políticas de proteção ao consumidor e um enfoque sustentado em jogo responsável, destacando que se trata de um fenômeno delimitado e específico.
Peso econômico e contexto regulatório
Além dos hábitos de consumo, o setor privado do jogo mantém uma relevância econômica significativa, com cerca de 50.000 empregos diretos, uma contribuição fiscal aproximada de EUR1.857m e um impacto estimado de 0,42 por cento do PIB.
A apresentação do relatório ocorreu em um cenário de debate político e regulatório, marcado pelo recente bloqueio parlamentar a novas reformas da lei do jogo e pela tensão entre o setor e o Ministério do Consumo. Nesse contexto, o estudo busca aportar dados objetivos para enquadrar a discussão pública sobre o papel do jogo na sociedade espanhola.
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