Relatórios: Mercado ilegal avança e causa impacto econômico

Relatórios: Mercado ilegal avança e causa impacto econômico

A preocupação com o crescimento do mercado ilegal de apostas volta a ganhar força a nível global, impulsionada por novos estudos que revelam perdas milionárias, enfraquecimento da regulação e maior exposição de consumidores vulneráveis.

O mercado ilegal supera amplamente o regulado na União Europeia

Um relatório da Yield Sec, encomendado pela European Casino Association (ECA), estimou que o mercado cinza e negro dentro da União Europeia alcança os €80,6 bilhões em GGR anual, mais do que o dobro do tamanho do setor regulado.

O relatório alerta sobre um ecossistema clandestino altamente sofisticado, que opera sem controles e continua captando jogadores com estratégias cada vez mais agressivas.

Austrália perde bilhões por ano para operadores offshore

Um estudo similar elaborado pela H2 Gambling Capital para a Responsible Wagering Australia (RWA) estima que o país perde AU$3,9 bilhões (GBP £1,9b) anuais devido a plataformas ilegais.

A projeção para 2029 eleva esse número para AU$5 bilhões, evidenciando uma curva de crescimento preocupante.

Publicidade clandestina e captação de usuários vulneráveis

Segundo a Yield Sec, os operadores ilegais aproveitam-se de lacunas regulatórias, mecanismos de proteção fracos e do anonimato digital para se dirigirem especificamente a menores e jogadores em situação de risco.

As práticas detectadas incluem:

Na Austrália, o CEO da RWA, Kai Cantwell, concordou com a gravidade do problema: “Enquanto os operadores licenciados usam os dados para proteger os jogadores, os sites ilegais os utilizam para mirar em menores e pessoas em risco.”

O relatório australiano revelou ainda que metade dos usuários offshore havia tentado autoexcluir-se previamente através do registro nacional BetStop.

Perdas fiscais milionárias para os Estados

O impacto econômico é igualmente alarmante. A Yield Sec calcula que, com um imposto médio de 25%, os 27 países da UE perdem mais de €20 bilhões por ano em arrecadação, dinheiro que deveria financiar serviços públicos, esporte e cultura.

O presidente da ECA, Erwin van Lambaart, foi categórico: “Cada euro que vai para operadores ilegais é um euro roubado dos cidadãos europeus e das empresas reguladas.”

Na Austrália, o Estado poderia perder quase AU$2 bilhões em arrecadação nos próximos cinco anos, além de AU$800 milhões em contribuições para esportes e corridas.

Por que os jogadores migram para o mercado ilegal

As razões que impulsionam os usuários a apostar offshore se repetem em ambos os estudos:

Para a RWA, a conclusão é clara: o mercado legal deve ser competitivo para reter os usuários. “Se o jogador não encontra aqui o produto ou o preço que busca, ele não para de apostar: simplesmente vai para o offshore”, afirmou Cantwell.

Recomendações para frear o avanço do mercado ilegal

O relatório da H2 Gambling Capital propõe várias medidas:

  1. Criar uma Plataforma Nacional de Listagem de Operadores Ilegais (NIGBP).
  2. Integrar o BetStop com sistemas de monitoramento de pagamentos, bloqueando transações para sites incluídos no NIGBP.
  3. Unificar o marco regulatório a nível federal para fechar lacunas que hoje permitem a operação clandestina.

Cantwell concluiu que um sistema nacional sólido não só protege os jogadores, mas também preserva o financiamento do esporte e evita que ferramentas como o BetStop sejam vulneradas por operadores não regulados.

Etiquetas: Europa, Cassinos ilegais, mercado ilegal de apostas, Yield Sec, H2 Capital, NIGBP, BetStop