Estudo vincula TV a +33% de apostas na Copa do Mundo

Estudo vincula TV a +33% de apostas na Copa do Mundo

Pesquisadores da Universidade de Sheffield demonstram que os anúncios não apenas mudam a preferência de plataforma, mas também aumentam o volume total de jogo. O relatório questiona se as regulamentações atuais no Reino Unido são suficientes para proteger os grupos de risco.

A eficácia das restrições publicitárias no esporte volta ao centro do debate científico e regulatório. Um novo estudo da Universidade de Sheffield, baseado no comportamento dos usuários durante a Copa do Mundo 2022, revela que a publicidade de jogos de azar na televisão aumentou "significativamente" a atividade de apostas, disparando tanto a intenção quanto a frequência de jogo.

O relatório, publicado na revista Addictive Behavior Reports, apresenta números contundentes: os participantes tiveram entre 22% e 33% mais probabilidade de apostar quando sintonizaram canais com publicidade de apostas (como ITV), em comparação com aqueles que assistiram aos jogos em sinais livres de anúncios (como a BBC).

Mais que um simples lembrete: Um "gatilho" de comportamento

A pesquisa, liderada por Ellen McGrane, rompe com a ideia de que a publicidade serve apenas para que o usuário escolha uma marca em vez de outra. "Esses anúncios atuam como potentes gatilhos durante as partidas ao vivo, incentivando as apostas mesmo entre pessoas que não tinham a intenção prévia de jogar", explicou McGrane.

Uma das descobertas chave é que a publicidade aumenta a quantidade total de jogo na população, em vez de simplesmente redistribuir o tráfego entre operadores. Isso é especialmente relevante para os grupos de maior risco, como os homens jovens (18-45 anos) com alta frequência de jogo, que constituíram a amostra do estudo.

O limite das restrições atuais

No Reino Unido vigora a norma conhecida como "whistle-to-whistle" (de apito a apito), que proíbe anúncios de apostas desde cinco minutos antes do início até cinco minutos após o final do encontro. No entanto, o estudo sugere que essa medida é insuficiente.

Embora os anúncios sejam exibidos fora desse bloco protegido, o efeito residual e a exposição massiva nas prévias e pós-jogos geram uma resposta comportamental de curto prazo que as regras atuais não conseguem mitigar.

O contraste com os Estados Unidos

O relatório também volta o olhar para o mercado americano, onde as restrições são notavelmente mais brandas e variam conforme o estado. O crescimento dos mercados de previsão esportiva (prediction markets), que frequentemente operam em zonas cinzentas da lei estadual, adiciona uma camada de complexidade ao ecossistema publicitário global.

Conclusão: Saúde pública vs. Marketing

Para os autores, a evidência é clara: quanto maior a participação no jogo a nível populacional, maiores são os danos relacionados à ludopatia. O estudo conclui que, diante de eventos de alta visibilidade como uma Copa do Mundo, são necessárias regulamentações mais rigorosas para proteger a saúde pública, sugerindo que a indústria não pode se autorregular de forma eficaz se o objetivo é reduzir o dano real nos setores mais vulneráveis.

Etiquetas: Reino Unido, publicidade de apostas Mundial 2022, publicidade de apostas na Copa do Mundo