México tem 423 cassinos autorizados em 30 entidades federativas

Cassinos no Mexico

A associação que reúne permissionários, operadores e fornecedores de jogos no México veio a público colocar números sobre a mesa. Segundo suas estimativas, os 423 cassinos autorizados do país, distribuídos em 30 entidades federativas, sustentam mais de 60.000 empregos diretos e chegam a cerca de 200.000 postos quando somados os indiretos — um cálculo que a Asociación de Permisionarios, Operadores y Proveedores de la Industria del Entretenimiento y Juego de Apuestas en México quer inserir no debate público.

O argumento não se limita à folha de pagamento das salas. A entidade sustenta que a presença territorial da indústria estabelece laços comerciais com fornecedores de todos os portes — com tecnologia, manutenção, vigilância, limpeza e serviços de alimentação entre os setores que vivem desses contratos —, além de PMEs que têm nos cassinos um cliente de pagamento pontual. Ricardo Barraza, à frente de Comunicação e Relações Institucionais da associação, vem insistindo em ampliar a divulgação de dados sobre emprego, investimentos, arrecadação fiscal e parcerias com fornecedores nacionais, com o objetivo declarado de tirar o setor do segundo plano em que é colocado pelas discussões públicas.

Os dados macroeconômicos apresentados pela organização vão além das salas presenciais. Os jogos e as apostas, em conjunto, representariam cerca de 0,5% do Produto Interno Bruto nacional, um percentual que engloba atividades que ultrapassam os cassinos físicos. A isso, somam-se as obrigações tributárias, federais e locais, dos estabelecimentos autorizados, juntamente com o investimento contínuo na modernização de instalações, equipamentos tecnológicos e infraestrutura. O cenário digital também entra na conta, já que existem mais de 100 mil máquinas autorizadas nos estabelecimentos regulamentados e cerca de 80 plataformas legais de jogo online.

A associação acompanha os dados econômicos com um posicionamento regulatório. Reconhecer o alcance do setor, argumenta, não significa minimizar os riscos do jogo; daí decorre o pedido por regras claras, mecanismos de supervisão adaptados a cada modalidade, proteção ao usuário e medidas eficazes de jogo responsável. A outra reivindicação é pela diferenciação: separar os operadores que cumprem as normas daqueles que atuam à margem da lei, pois, segundo sua avaliação, apenas assim a contribuição econômica poderá se sustentar ao longo do tempo e continuar gerando impactos positivos no emprego, nos investimentos e nos fornecedores nacionais.

O momento em que esses números vêm a público não é por acaso e convém analisá-lo observando o cenário regional. Há uma semana, a mesma associação estimava que 60% do mercado mexicano opera de maneira ilegal, sem que haja uma medição oficial que confirme o dado, e agora complementa o argumento com os números do emprego — exatamente a mesma tese utilizada pelo setor brasileiro desde que a proibição custou mais de 3.500 postos de trabalho em catorze dias. A diferença é o momento: no Brasil, os dados de demissões vieram como consequência; no México, chegam como prevenção, com o setor construindo sua defesa econômica antes que o debate se acirre. Vale destacar que o salto de 60.000 para 200.000 empregos pressupõe um multiplicador de mais do que o triplo entre vagas diretas e indiretas, e que a associação não divulgou a metodologia com a qual realizou o cálculo, tornando este o primeiro número que um legislador deve exigir que seja auditado.

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