A loteria do Panamá impulsiona sua digitalização contra a clandestina
A Loteria Nacional de Beneficência do Panamá prepara um processo de transformação tecnológica que poderá mudar progressivamente a forma como os bilhetes e chances são comercializados, num momento em que a instituição enfrenta perdas milionárias devido ao avanço da venda clandestina. Seu diretor, Isidro Carbonell, reconheceu que o órgão parte de uma situação de significativo atraso tecnológico e antecipou que a modernização será gradual e incluirá eventualmente os vendedores de bilhetes no novo esquema, em declarações nas quais admitiu que a instituição nem sequer possui um programa de contabilidade e realiza boa parte de seus processos de forma manual.
A própria loteria reconhece que alguns de seus vendedores autorizados começaram a adotar ferramentas digitais por iniciativa própria, como os vendedores de bilhetes que fotografam seus painéis, os publicam em seus status e recebem pedidos e pagamentos através de plataformas de transferência. Para Carbonell, essas experiências podem servir como ponto de partida para uma transformação mais ampla da comercialização oficial, em linha com uma das reivindicações dos sindicatos de vendedores de bilhetes, que pedem a modernização da instituição para competir em igualdade de condições com as redes clandestinas, que se adaptaram rapidamente aos novos hábitos de consumo por meio de ferramentas digitais e pagamentos eletrônicos. Apesar do avanço tecnológico, o diretor descartou o abandono do bilhete físico a curto prazo, ao afirmar que existe uma forte preferência dos consumidores pelo formato tradicional e que este continuará a ter um papel relevante durante pelo menos os próximos dez anos.
A modernização também visa a logística interna da entidade, com a digitalização do processo de classificação e distribuição de bilhetes, hoje realizado de forma completamente manual por cerca de 80 colaboradoras em uma sala com rigorosas medidas de segurança, em uma tarefa que pode levar várias horas antes que o produto esteja pronto para sair para os pontos de venda. A entidade busca implementar tecnologia que permita classificar e verificar automaticamente os produtos, com o objetivo de agilizar a distribuição e responder a uma das reclamações mais frequentes dos vendedores de bilhetes, os longos tempos de espera para retirar os bilhetes, além de atualizar os métodos de impressão e de entrega de prêmios.
A transformação ocorre em paralelo com a ofensiva da loteria contra a venda clandestina, que segundo Carbonell explica cerca de 75 por cento das perdas da instituição, com um impacto estimado em cerca de 175 milhões de dólares, um valor que se soma a estimativas prévias do próprio órgão e da Assembleia Nacional que situam as perdas anuais em até 200 milhões. O problema motivou a apresentação de um anteprojeto de lei que busca tipificar como crime a venda clandestina de loteria no Código Penal, em vez de limitar seu tratamento a sanções administrativas, a fim de reforçar as ferramentas de perseguição e permitir a intervenção do Ministério Público. Quanto à loteria eletrônica, cujos sorteios foram suspensos após uma decisão da Suprema Corte de Justiça, o funcionário informou que foi enviada uma solicitação de auditoria à Controladoria Geral da República para verificar se os jogos Lotto e Pega 3 afetaram o produto tradicional.
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