EUA processam 26 por manipulação global no basquete
A integridade do basquete profissional e universitário está sob fogo. Promotores federais na Filadélfia anunciaram nesta quinta-feira o desmantelamento de uma sofisticada organização criminosa transnacional acusada de manipular pelo menos 30 jogos de basquete. A rede, que operava entre Estados Unidos e China, teria recrutado jogadores ativos e ex-alunos para influenciar os resultados mediante subornos diretos.
Segundo o promotor David Metcalf, a conspiração "envenenou o espírito competitivo" por benefícios econômicos, envolvendo uma rede de apostadores profissionais que operava desde setembro de 2022.
O vínculo com a China e o rastro dos USD 200.000
A investigação situa a origem da trama na Associação Chinesa de Basquete (CBA). Embora não figure como acusado formal, o ex-jogador do Chicago Bulls, Antonio Blakeney, é mencionado na denúncia. As autoridades afirmam que conspiradores recrutaram Blakeney durante sua passagem pelos Jiangsu Dragons para influenciar o placar.
Ao final da temporada 2022-23, os investigadores encontraram USD 200.000 (R$ 1,08 milhões) em dinheiro em um depósito pertencente ao jogador na Flórida, quantia que supostamente fazia parte dos pagamentos por sua cooperação no esquema.
Infiltração na NCAA: Subornos de USD 30.000
Após o sucesso financeiro na Ásia, a organização expandiu suas operações para os Estados Unidos, focando no basquete masculino da Divisão I da NCAA. Os detalhes da acusação são alarmantes para os operadores de apostas esportivas:
- Alcance: O grupo ofereceu subornos a mais de 39 jogadores universitários.
- Pagamentos: Foram registradas ofertas de até USD 30.000 (R$ 162.000) por partida para que os atletas jogassem abaixo do seu nível habitual.
- Volume: A rede movimentou milhões de dólares em apostas ilegais aproveitando informações privilegiadas e resultados combinados.
Atualmente, mais de uma dúzia dos acusados são ex-competidores universitários. Se forem considerados culpados de suborno esportivo, poderão enfrentar penas de até cinco anos de prisão federal.
Um histórico de crises na NBA
Este caso se soma a uma série de golpes à transparência do esporte americano. Apenas em outubro passado, a detenção de Terry Rozier (Miami Heat) por vazar informações confidenciais sobre lesões e de Chauncey Billups (ex-treinador dos Blazers) por vínculos com jogos de pôquer ilegais ligados à máfia já havia acendido os alertas nas ligas profissionais.
Para os operadores regulados, esses incidentes ressaltam a necessidade urgente de investir em sistemas avançados de monitoramento de cotações e alertas precoces. A manipulação de partidas não só afeta a credibilidade do esporte, mas também coloca em risco financeiro direto as casas de apostas que operam sob a lei.
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