Kalshi e Coinbase vs. Polymarket: Blindagem no Congresso dos EUA
Após o escândalo de insider trading sobre a captura de Nicolás Maduro, a Coalition for Prediction Markets (CPM) lançou uma campanha milionária no Washington Post. O objetivo é convencer os legisladores a distinguirem entre as plataformas reguladas pela CFTC e os operadores "offshore" como Polymarket.
A indústria dos mercados de previsão vive uma cisão interna. A Coalition for Prediction Markets (CPM), que reúne pesos pesados regulados como Kalshi, Coinbase, Crypto.com e Robinhood, decidiu traçar uma linha de fogo contra Polymarket. Por meio de um anúncio de página inteira no Washington Post publicado nesta quarta-feira, o grupo busca se distanciar das acusações de uso de informação privilegiada que abalam o setor.
O estopim foi um caso recente que expôs a vulnerabilidade das plataformas descentralizadas. Um usuário na Polymarket obteve ganhos de US$ 409.882 ao apostar que o presidente venezuelano Nicolás Maduro seria removido do poder, apenas algumas horas antes de se conhecer a notícia de sua captura por forças americanas. Esse movimento, altamente suspeito de insider trading, colocou os reguladores em alerta e ameaça a estabilidade de todo o ecossistema.
Diferenciar os mercados regulados do insider trading em plataformas offshore
A campanha de marketing, avaliada em sete dígitos, tem uma mensagem central: os mercados de previsão regulados pela Commodity Futures Trading Commission (CFTC) já proíbem o uso de informação privilegiada. Um porta-voz da CPM explicou ao Business Insider que a publicidade busca traçar um contraste nítido com as "plataformas offshore" onde ocorrem escândalos como o de Maduro ou o caso do trader que ganhou US$ 1 milhão antecipando dados do Google.
A diferença técnica que a coalizão tenta vender à opinião pública é crucial. Enquanto os membros da CPM operam sob licenças de Designated Contract Market (DCM) e exigem verificação de identidade (KYC) rigorosa, Polymarket opera sobre blockchain e, embora bloqueie tecnicamente IPs dos EUA, carece de supervisão federal direta sobre a identidade real de seus usuários. Para a CPM, a falta de controles na concorrência descentralizada é o verdadeiro risco sistêmico.
Como o escândalo da Polymarket impulsiona novas leis restritivas no Congresso
O temor da indústria regulada é que esses escândalos motivem o Congresso a proibir a atividade por completo, o que poderia reverter a vitória judicial histórica que Kalshi obteve em 2024 contra a CFTC, a qual validou legalmente os contratos de eventos políticos. Para navegar essas águas turbulentas, a CPM contratou dois ex-congressistas de peso: o democrata Sean Patrick Maloney como CEO e o republicano Patrick McHenry como assessor sênior.
A urgência legislativa é real. O representante Ritchie Torres já apresentou um projeto de lei para tipificar como crime federal o insider trading em sites de previsão, uma medida reativa direta ao escândalo de Maduro. Além disso, a coalizão busca contrabalançar a narrativa da American Gaming Association (AGA), entidade que sustenta que esses mercados canibalizam as receitas fiscais das apostas esportivas estaduais ao operarem como "cassinos não regulados".
Kalshi e Coinbase reforçam o compliance para legitimar os mercados de previsão como instrumentos financeiros
Além da publicidade, os membros da coalizão estão tomando medidas operacionais para demonstrar sua transparência. Kalshi reforçou sua aposta institucional com o anúncio da abertura de um escritório físico em Washington D.C. no último dia 26 de janeiro. Por meio das redes sociais e de meios como o Financial Times, o grupo insiste que as autoridades federais devem vigiar a atividade não regulada que dá má fama aos operadores legítimos.
Em um vídeo recente da campanha, Maloney enfatizou que os membros da coalizão sabem exatamente quem realiza cada operação graças aos seus protocolos de identificação. Com isso, buscam posicionar os mercados de previsão não como um jogo de azar, mas como um instrumento financeiro legítimo que requer a mesma integridade e supervisão que Wall Street.
Etiquetas: Estados Unidos, EUA, Polymarket, Kalshi, Coinbase, mercados preditivos Estados Unidos, regulamentação dos mercados preditivos