Os patrocínios de apostas na América superam os USD 1.450 milhões

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O dinheiro cresceu mais rápido do que a quantidade de acordos, e essa defasagem é o ponto mais revelador do relatório. Segundo o Sponsorship Sector Report Gambling & Betting Americas 2026 da GlobalData, o valor anual dos patrocínios do setor nas Américas subiu 145 por cento entre 2020 e 2025, superando os USD 1.450 milhões, enquanto o número de contratos comerciais aumentou 106,6 por cento no mesmo período. Dividindo uma série pela outra, o acordo médio ficou cerca de 19 por cento mais caro: há mais contratos, mas, acima de tudo, há contratos maiores.

A consultoria atribui a expansão ao amadurecimento das apostas esportivas online e coloca o futebol no centro da narrativa, devido ao seu calendário que cobre quase todo o ano, às suas competições internacionais e às suas audiências digitais, fatores que, segundo o relatório, o tornam um veículo comercial de primeira linha para as casas de apostas.

Os números da própria consultoria, no entanto, obrigam a relativizar essa centralidade. Um levantamento anterior da mesma consultoria, referente a 2025, posicionava o futebol em USD 341,58 milhões por ano em patrocínios do segmento de apostas e jogos de azar no continente, distribuídos em 114 acordos mapeados, o que representa cerca de 24 por cento do total americano. O basquete vinha em segundo lugar, com 101 acordos, apenas treze a menos. Ou seja, o futebol lidera em número de contratos por uma margem estreita e responde por menos de um quarto dos valores movimentados, já que o grosso dos investimentos está nas grandes ligas norte-americanas. Vale ressaltar que os dois números vêm de relatórios distintos e podem não compartilhar a mesma metodologia.

A distribuição geográfica explica essa distorção. A maior parte dos negócios concentra-se nos Estados Unidos e no Canadá, com DraftKings, FanDuel e BetMGM entre os principais operadores e acordos de grande alcance com organizações esportivas, enquanto a NFL, a NBA, a MLB e a NHL oferecem vitrines publicitárias de público massivo e contratos de alto valor. Além das equipes, as marcas disputam espaço nos estádios, nas transmissões e no ambiente digital para não perder visibilidade durante a temporada.

A América Latina surge como um mercado mais seletivo, onde os investimentos se concentram em poucos acordos e miram clubes e partidas de grande audiência. Betano e Superbet lideram a presença comercial do segmento na região, e a Caliente mantém uma posição relevante no México. Olivia Snooks, analista esportiva da GlobalData, resumiu a lógica: o futebol se tornou o recurso ao qual os operadores recorrem para atrair clientes em vários países simultaneamente, tanto pela constância de seu calendário quanto pelo engajamento gerado nas redes sociais.

A comparação com outras regiões dimensiona a escala real do negócio no continente americano. Outro relatório da mesma consultoria estimou em USD 764 milhões o montante que o futebol da Europa, Oriente Médio e Norte da África recebeu em patrocínios de apostas durante 2025 — ou seja, mais do que o dobro do que a modalidade recebe em todo o continente americano. O futebol europeu continua sendo, de longe, o ativo publicitário mais caro do setor. Há, ainda, movimentações que rompem as fronteiras desse formato: a Codere Online tornou-se patrocinadora oficial da NFL no México, um acordo que leva uma liga norte-americana a um mercado hispanofalante regulamentado.

A GlobalData é uma consultoria de inteligência de mercado sediada em Londres que elabora relatórios setoriais sobre patrocínio esportivo, entre outras verticais, a partir do monitoramento de acordos comerciais públicos. O crescimento do patrocínio de apostas no esporte está atualmente sob revisão regulatória em várias jurisdições da região: o Brasil encerrou o prazo de adequação do seu mercado regulamentado em setembro e, com isso, impactou os contratos de patrocínio esportivo, enquanto o Chile e a Argentina debatem projetos de lei que limitam ou proíbem a publicidade dessas plataformas.

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