Casino Parque Hotel (Montevidéu) terá controle nacional em meados do
O mapa do jogo físico em Montevidéu caminha para uma mudança histórica de gestão. Após meses de intensas negociações e debates políticos, o diretor de Desenvolvimento Econômico da Intendência de Montevidéu (IM), Camilo Benítez, confirmou à Junta Departamental que a transferência do Casino Parque Hotel para a órbita nacional será concretizada em meados de 2026. Este movimento marcará o fim de uma era de administração municipal para dar lugar à Direção Geral de Cassinos (DGC), dependente do Ministério da Economia e Finanças (MEF).
A decisão, impulsionada pela atual administração do intendente Mario Bergara, baseia-se em uma visão de eficiência operacional. Para o Executivo departamental, a gestão direta de salas de jogo por parte de uma comuna carece de sentido conceitual no contexto moderno e responde mais a uma herança histórica do que a uma necessidade de serviço público. O objetivo é que a Intendência se liberte da carga administrativa de um setor que requer uma especialização técnica e regulatória que o Estado já possui em nível nacional.
O futuro dos trabalhadores e a logística operacional
Um dos pontos centrais da negociação tem sido o destino dos aproximadamente 50 funcionários municipais que hoje desempenham tarefas na sala da rambla. Benítez assegurou que a comuna manterá os postos de trabalho, embora os empregados serão realocados em outras áreas do governo departamental. Atualmente, está sendo desenvolvida uma mesa de diálogo para definir essas novas funções, assegurando que a transferência da sala não impacte negativamente no emprego público.
Quanto à infraestrutura tecnológica, a transição não esteve isenta de críticas. Após declarar desertas as licitações originais, a Intendência optou pela adjudicação direta à empresa ICM S.A. para o arrendamento das máquinas caça-níqueis (slots) e o software de gestão. Segundo as autoridades, este passo foi necessário para garantir a continuidade operacional enquanto se formaliza a entrega da sala à Direção Nacional de Cassinos.
Disputa política e projeções financeiras
Apesar das confirmações oficiais, a oposição liderada por figuras como o senador Martín Lema questionou a falta de celeridade e a "incerteza" que cerca o processo. Do setor opositor, aponta-se uma suposta contradição: enquanto a IM anuncia a transferência para 2026, o orçamento da comuna continua prevendo verbas para o cassino até o final de 2027. A explicação da Intendência é que se trata de uma medida preventiva para evitar um vazio financeiro caso a assinatura definitiva do acordo sofresse atrasos burocráticos imprevistos.
Em termos econômicos, o impacto é evidente. Para este 2026 e o próximo 2027, a projeção de receitas do cassino reduz-se significativamente dos UY$ 348 milhões registrados em 2025 para pouco mais de UY$ 101 milhões. Se a transferência for concluída conforme o cronograma previsto, esses recursos deixariam de figurar no balanço municipal para integrar as Rendas Gerais do Estado. Com a data fixada para meados do ano, o setor do iGaming e do jogo físico na região observa com atenção este movimento, que promete centralizar a oferta de jogo no Uruguai sob um único guarda-chuva regulatório e operacional.
Etiquetas: Uruguai, Casino Parque Hotel, cassinos no Uruguai, cassinos em Montevidéu