A campanha de Lula conclui que a proibição lhe tirou votos

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Na campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, já circula a ideia de que o fechamento das apostas saiu caro no primeiro turno. Integrantes da equipe consideram que a medida, anunciada nove dias antes da eleição, pode ter prejudicado o desempenho do presidente na disputa pelo Palácio do Planalto, conforme noticiado por O Globo e posteriormente divulgado pela BNLData.

O resultado sustenta essa leitura. Flávio Bolsonaro terminou o domingo à frente do presidente com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 pontos. O monitoramento de redes sociais feito pela equipe detectou também influenciadores de audiência popular, identificados com a classe C, chamando ao voto útil para o senador do PL como reação direta ao fechamento do mercado.

A decisão havia dividido o entorno presidencial. Segundo a BNLData, os únicos que pediam o fechamento total eram a primeira-dama Janja da Silva e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Palmeira defendia que era preciso um golpe de efeito na reta final; Janja calculava que o eleitorado feminino a apoiaria amplamente. O restante da equipe a via como radical e arriscada, pela reação previsível dos setores atingidos, com os clubes de futebol e as casas de apostas entre os primeiros. Lula assinou mesmo assim a Medida Provisória N.º 1.394/2026 em 25 de setembro.

O número que explica o fracasso político está nas pesquisas. Um levantamento da Indexa/Broadcast divulgado em 1º de outubro constatou que 70% dos entrevistados aprovavam a proibição, mas também que para 63% o que os candidatos diziam sobre apostas não pesava na hora de escolher. A medida era popular e, ao mesmo tempo, indiferente na hora de votar, de modo que o governo colheu a aprovação sem convertê-la em apoio, enquanto a oposição mobilizou uma minoria intensa que de fato mudou seu voto por esse motivo.

A indústria havia alertado para o outro custo. Entidades do setor apontaram que a proibição poderia empurrar milhões de apostadores para plataformas que não têm permissão alguma no país, depois que o mercado havia passado por um processo completo de regulamentação e licenciamento.

O fato de o diagnóstico vir do próprio comando de campanha muda o terreno da discussão. Até agora, o custo político da medida era uma hipótese da oposição e do setor afetado; agora é uma conclusão interna, e isso enfraquece qualquer defesa do veto no segundo turno de 25 de outubro. Essa avaliação chega, além disso, no momento em que a sobrevivência da norma depende de duas instâncias que o Governo não controla: o Congresso Nacional, que já acumula emendas para excetuar as apostas esportivas, e o Supremo Tribunal Federal, que estuda os pedidos de suspensão apresentados pelas associações do setor.

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